sábado, 3 de fevereiro de 2024

É importante refletir:

Um coração que vê

José Antonio Pagola

Os evangelhos vão relatando detalhadamente episódios e atuações concretas de Jesus. Mas também oferecem “resumos” ou “sumários” onde se descreve seu estilo de viver: o que ficou mais gravado na lembrança de seus seguidores.

O evangelho de Marcos lembra estes traços: Jesus vive muito atento à dor das pessoas. É incapaz de passar ao largo se vê alguém sofrendo. Seu interesse não é só pregar. Ele deixa tudo, inclusive a oração, para atender às necessidades e sofrimentos das pessoas. Por isso o procuram tanto os enfermos e desvalidos.

Li com alegria o terceiro escrito do papa a toda a Igreja – a encíclica Caritas in veritate – porque, junto com outros acertos, ele soube expor de maneira exata o que ele chama de “programa do cristão”, que deriva do “programa de Jesus”. De acordo com a esplêndida expressão do papa, o cristão deve ser, como Jesus, “um coração que vê onde se precisa de amor e age de acordo”.

O papa olha o mundo com realismo. Reconhece que são muito grandes os progressos no campo da ciência e da técnica. Mas, apesar de tudo, “vemos cada dia o muito que se sofre no mundo por causa de tantas formas de miséria material e espiritual”.

Quem vive com um coração que vê, sabe “captar as necessidades dos outros no mais profundo de seu ser, para fazê-las suas”. Não basta que haja “organizações encarregadas” de prestar ajuda. Se eu aprendo a olhar o outro como Jesus o olhava, descobrirei que “posso oferecer-lhe o olhar de mor de que ele necessita”.

O papa não está pensando em “sentimentos piedosos”. O importante é “não desinteressar-se” daquele que sofre. A caridade cristã “é, antes de tudo, a resposta a uma necessidade imediata numa determinada situação: os famintos precisam ser saciados, os nus vestidos, os doentes atendidos, os prisioneiros visitados”.

É necessária urna atenção profissional bem-organizada. O papa a considera um requisito fundamental, mas “os seres humanos precisam sempre de algo mais que uma atenção tecnicamente correta. Precisam de humanidade. Precisam de atenção cordial”.

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JOSÉ ANTONIO PAGOLA cursou Teologia e Ciências Bíblicas na Pontifícia Universidade Gregoriana, no Pontifício Instituto Bíblico de Roma e na Escola Bíblica e Arqueológica Francesa de Jerusalém. É autor de diversas obras de teologia, pastoral e cristologia. Atualmente é diretor do Instituto de Teologia e Pastoral de São Sebastião. Este comentário é do livro “O Caminho Aberto por Jesus”, da Editora Vozes.

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                                                       Fonte: franciscanos.org.br        Banner: Frei Fábio M. Vasconcelos 

Leitura obrigatória:

Reflexões sobre o sentido da vida

No contexto atual, a questão do sentido da vida adquire uma relevância particular, especialmente considerando os avanços científicos e tecnológicos que aprofundaram ainda mais os dilemas existenciais. Ao nos depararmos com essa indagação, encontramo-nos diante de um problema filosófico que tem suscitado perplexidade desde os primórdios da filosofia. Antigas e fundamentais questões sobre nossa identidade, origem, propósito e destino ressurgem e se ampliam. A vida possui uma finalidade ou tudo ocorre ao acaso? A vida tem um desfecho significativo? Existe algo que poderíamos chamar de “sentido da vida”? E, se existir, temos a capacidade de descobri-lo? 

Dom João Santos Cardoso

Esses dilemas filosóficos não são elucidados pela ciência. Seu método, baseado na observação empírica e quantificação, não é eficaz para abordar tais questões. Descobertas científicas, por mais avançadas que sejam, oferecem contribuições limitadas para a compreensão do sentido da vida. Abordagens como a de Richard Dawkins, que consideram o ser humano como resultado de genes egoístas, são inteiramente limitadas e sequer tocam na complexidade do mistério do ser humano. Tampouco se resolve a questão eliminando-a como um falso problema. A vida humana transcende a biologia, as composições químicas e as redes neurais! Ao enfrentarmos o dilema do sentido da vida, transcendemos o domínio da ciência e dos fatos observáveis experimentalmente. Wittgenstein nos lembra que o mais importante para a vida está além desse domínio: “Sentimos que, mesmo que todas as questões científicas possíveis tenham obtido resposta, nossos problemas de vida não terão sido sequer tocados” (Tractatus Logico-Philosophicus, 6.52). 

Ao questionarmos o sentido da vida, entramos na esfera ética, estética e religiosa. Essa questão não pertence à ciência, mas sim à filosofia. No entanto, isso não significa que os filósofos possam oferecer uma teoria para a resolução do problema. Pelo contrário! As soluções dadas alargam ainda mais o dilema. A resposta à busca pelo sentido da vida encontra-se mais propriamente na esfera do místico. A religião, ao favorecer a experiência do mistério, responde a essa questão com mais acerto. 

A ética desempenha importante papel ao abordarmos a questão do sentido da vida. Desde os primórdios da filosofia, Sócrates já havia indicado a importância da ética para uma vida boa e feliz, elegendo a virtude como o caminho da realização pessoal, pois é dela que deriva o bem-estar, bem como o modo sábio de lidar com os desafios do cotidiano. A pessoa ética encontra a felicidade na virtude e no modo de lidar com os fatos, harmonizando-se com eles, buscando o sentido de cada coisa antes de querer controlar os acontecimentos e submetê-los à própria vontade. A felicidade da pessoa ética contrasta com a infelicidade da pessoa que vive à mercê dos desejos e, numa luta inglória, tenta subordinar o mundo à própria vontade. A solução para viver de maneira feliz envolve tornar-se independente do mundo, renunciar ao desejo de influenciar os eventos e harmonizar-se com a realidade. 

A dimensão estética da vida ajuda a responder à questão do seu sentido. “A vida é séria, alegre é a arte!” (Wittgenstein). Assim como a ética, a estética molda nossa percepção do mundo, pois “a obra de arte é o objeto visto sub specie aeternitatis; e a vida boa é o mundo visto sub specie aeternitatis. Este é o nexo entre arte e ética” (Wittgenstein). O sentido da vida, como uma solução para ir além dos limites dos fatos, é alcançado quando se contempla o mundo como totalidade. Essa visão permite um sentimento religioso do mundo e, semelhantemente aos místicos, começa a se viver de forma plena, cessando a tagarelice. “Sobre aquilo de que não se pode falar, deve-se calar” (Wittgenstein; Tractatus 7). 

Em resumo, o sentido da vida se revela na atitude religiosa, onde a estética se encontra com o imperativo ético: “fazei a vontade de Deus!” A moralidade, nesse contexto, consiste na aceitação da vontade divina, vivendo em concordância com os fatos e acolhendo-os sem rebelião. A ética, estética e religião, portanto, desempenham papéis interligados na busca pelo sentido da vida. Entretanto, visto de maneira mais profunda, o problema do sentido da vida não depende apenas de uma decisão ética, mas sim do encontro decisivo com uma pessoa, Jesus Cristo, como sabiamente afirmou o Papa Bento XVI: “No início do ser cristão, não há uma decisão ética ou uma grande ideia, mas o encontro com um acontecimento, com uma Pessoa que dá à vida um novo horizonte e, desta forma, o rumo decisivo” (Deus Caritas est, 1). 

Dom João Santos Cardoso - Arcebispo de Natal (RN)

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5º Domingo do Tempo Comum:

  Leituras e Reflexão

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1ª Leitura: Jó 7,1-4.6-7

Leitura do Livro de Jó 

Jó disse: “Não é acaso uma luta a vida do homem sobre a terra? Seus dias não são como os dias de um mercenário? Como um escravo suspira pela sombra, como um assalariado aguarda sua paga, assim tive por ganho meses de decepção, e couberam-me noites de sofrimento.

Se me deito, penso: Quando poderei levantar-me? E, ao amanhecer, espero novamente a tarde e me encho de sofrimentos até ao anoitecer.

Meus dias correm mais rápido do que a lançadeira do tear e se consomem sem esperança. Lembra-te de que minha vida é apenas um sopro e meus olhos não voltarão a ver a felicidade!

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Responsório: Sl 146

— Louvai a Deus, porque ele é bom/ e conforta os corações.

— Louvai a Deus, porque ele é bom/ e conforta os corações.

— Louvai o Senhor Deus, porque ele é bom,/ cantai ao nosso Deus, porque é suave:/ ele é digno de louvor, ele o merece!/ O Senhor reconstruiu Jerusalém,/ e os dispersos de Israel juntou de novo.

— Ele conforta os corações despedaçados,/ ele enfaixa suas feridas e as cura;/ fixa o número de todas as estrelas/ e chama a cada uma por seu nome.

— É grande e onipotente o nosso Deus,/ seu saber não tem medida nem limites./ O Senhor Deus é o amparo dos humildes,/ mas dobra até o chão os que são ímpios.

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2ª Leitura: 1Cor 9,16-19.22-23
Leitura da Primeira Carta de São Paulo aos Coríntios

Irmãos: Pregar o Evangelho não é para mim motivo de glória. É antes uma necessidade para mim, uma imposição. Ai de mim se eu não pregar o evangelho! Se eu exercesse minha função de pregador por iniciativa própria, eu teria direito a salário. Mas, como a iniciativa não é minha, trata-se de um encargo que me foi confiado. Em que consiste então o meu salário? Em pregar o evangelho, oferecendo-o de graça, sem usar os direitos que o evangelho me dá.

Assim, livre em relação a todos, eu me tornei escravo de todos, a fim de ganhar o maior número possível. Com os fracos, eu me fiz fraco, para ganhar os fracos. Com todos, eu me fiz tudo, para certamente salvar alguns. Por causa do evangelho eu faço tudo, para ter parte nele.

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Evangelho: Mc 1,29-39

Proclamação do Evangelho de São  Marcos

Saíram da sinagoga e foram logo para a casa de Simão e André, junto com Tiago e João. A sogra de Simão estava de cama, com febre, e logo eles contaram isso a Jesus. Jesus foi aonde ela estava, segurou sua mão e ajudou-a a se levantar. Então a febre deixou a mulher, e ela começou a servi-los.

À tarde, depois do pôr-do-sol, levavam a Jesus todos os doentes e os que estavam possuídos pelo demônio. A cidade inteira se reuniu na frente da casa. Jesus curou muitas pessoas de vários tipos de doença e expulsou muitos demônios. Os demônios sabiam quem era Jesus, e por isso Jesus não deixava que eles falassem.

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Reflexão do padre Johan Konings:

Assumindo o sofrimento de todos

As leituras de hoje estão interligadas por uma alusão quase imperceptível: enquanto Jó se enche de sofrimento até o anoitecer (1ª leitura), Jesus cura o sofrimento até o anoitecer (evangelho). O conjunto do evangelho mostra Jesus empenhando-se, sem se poupar, para curar os enfermos de Cafarnaum. E no dia seguinte, o poder de Deus, que ele sente agir em si, o impele para outras cidades – sem se deixar “privatizar” pelo povo de Cafarnaum. A paixão de Jesus é deixar efluir de si o poder benfazejo de Deus. Ele não pensa em si mesmo, não se protege, não se poupa. Ele assume, sem limites, o sofrimento do povo. Ele tem consciência de ser isso a sua missão: “Foi para isso que eu vim”. Ele não pode recusar a Deus esse serviço.

Nosso povo, muitas vezes, vê nas doenças e no sofrimento um castigo de Deus. Mas quando o enviado de Deus mesmo se esgota em aliviar as dores do povo, como essas doenças poderiam ser um castigo de Deus? Não serão sinal de outra coisa? Há muito sofrimento que não é castigo de quem sofre. Que é simplesmente condição humana, condição da criatura, porém, também ocasião para Deus manifestar seu amor ao ser humano. O evangelista João dirá que a doença é uma oportunidade para Deus manifestar sua glória (Jô 9,3; 11,4).

Por mais que o homem consiga dominar os problemas de saúde, não consegue excluir o sofrimento, pois esse tem outra fonte. No mais perfeito dos mundos – como o descreve um romance dos anos 1930 – no mundo sem doenças, os humanos sofrem pelo desamor, pela mútua manipulação, pela desconfiança, pela insignificância, pelo mal que o ser humano causa ao seu semelhante. Por isso, o relato bíblico do pecado atribui o sofrimento fundamentalmente ao pecado; porém, não ao pecado individual – o livro de Jó contesta com força tal atribuição (e também Jo 9,3, cf. acima) – mas ao pecado instalado na humanidade, o pecado das origens (Gn 3,15-19).

Que Jesus apaixonadamente se entrega à cura de todos os males, inclusive em outras cidades, é uma manifestação do Espírito de Deus, que está sobre Jesus, e que renova o mundo (cf. Sl 104 [103], 30). O evangelista Mateus (Mt 8,17) compreendeu isso muito bem, quando acrescentou ao texto de Mc 1,34 a citação de Is 53,4 (do Servo Sofredor): “Ele assumiu nossas dores e carregou nossas enfermidades”. Ora, se é pelo pecado do mundo que as dores se transformaram num mal que oprime a alma, logo mais Jesus terá de se revelar como aquele que perdoa o pecado (cf. 7º domingo). Também se hoje acontecem curas e outros sinais do amor apaixonado de Deus que se manifesta em Jesus Cristo, é preciso que reconheçamos nisso os sinais do Reino que Jesus vem trazer presente.

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PE. JOHAN KONINGS nasceu na Bélgica em 1941, onde se tornou Doutor em Teologia pela Universidade Católica de Lovaina, ligado ao Colégio para a América Latina (Fidei Donum). Veio ao Brasil, como sacerdote diocesano, em 1972. Em 1985 entrou na Companhia de Jesus (Jesuítas) e, desde 1986, atuou como professor de exegese bíblica na FAJE, Faculdade Jesuíta de Filosofia e Teologia, em Belo Horizonte. Faleceu no dia 21 de maio de 2022. Este comentário é do livro “Liturgia Dominical, Editora Vozes.

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Reflexão em vídeo de Frei Gustavo Medella

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              Fonte: franciscanos.org.br    BannerFr. Fábio M. Vasconcelos    Imagem:  vaticannews.va

sexta-feira, 2 de fevereiro de 2024

Padre Rafael Gouvêa

 retorna à Paróquia São José

Com alegria, nossa paróquia acolhe o padre Rafael Gouvêa, que, a partir de agora, volta a exercer o ofício de vigário em nosso meio. Tendo desempenhado durante alguns meses no início de 2020 essa mesma função há quatro anos entre nós, o sacerdote se tornou pároco da paróquia Nossa Senhora da Consolação, em Consolação, onde trabalhou aproximadamente um quadriênio.

Alguns dados da trajetória do sacerdote

Padre Rafael

Padre Rafael Gouvêa Domingues é natural de Pouso Alegre, tendo nascido no dia 14 de fevereiro de 1983. Seu percurso de formação para o sacerdócio foi realizado no Seminário Arquidiocesano Nossa Senhora Auxiliadora e na Faculdade Católica de Pouso Alegre. Foi ordenado diácono no dia 21 de novembro de 2008 na Matriz de Nossa Senhora do Patrocínio da cidade de Caldas. Sua ordenação presbiteral foi realizada no dia 15 de maio do ano seguinte na Catedral do Senhor Bom Jesus de Pouso Alegre, sendo ordenante o então arcebispo metropolitano Dom Ricardo Pedro Chaves Pinto Filho, O.Praem. Lema de ordenação: "Aquele que vos chamou é fiel, Ele mesmo realizará isso" (1Ts 5, 24)

Exerceu os ofícios de vigário paroquial nas paróquias Nossa Senhora do Patrocínio (Caldas), São José Operário (Itajubá) e Nossa Senhora do Carmo (Cambuí), São Cristóvão e São Benedito (Extrema) e Nossa Senhora do Carmo (Borda da Mata). Coordena a Comissão de Formação Permanente da Arquidiocese de Pouso Alegre. Cursou Mestrado na Pontifícia Universidade Católica de São Paulo. Sua dissertação versou sobre “O pecado numa leitura eclesial-pastoral da atualidade”. No dia 30 de dezembro de 2019, foi nomeado por Dom José Luiz Majella Delgado, C.Ss.R., pároco da paróquia Nossa Senhora da Consolação (Consolação) e vigário na paróquia São José (Paraisópolis).

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Seja bem-vindo, padre Rafael e seja feliz em nosso meio!

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Sobre a festa desta sexta-feira:

Apresentação do Menino Jesus no Templo: sua história
em meio a candeias e luz, velas e velório na vida! (Lc 2,22-40)

Frei Jacir de Freitas Faria [1]

Imagem ilustrativa: Canva (www.canva.com/pt_br/modelos)

O texto sobre o qual vamos refletir é Lc 2,22-40. Quarenta dias nos separam do Natal, a festa do Deus-Menino, a luz que não se apaga. abemos que o Natal é uma releitura da celebração do nascimento da divindade romana do Sol Invicto. No menor dia do ano, o sol renasce.

Essa festa chegou ao Ocidente, em Roma, vinda do Oriente, da Síria. Ela foi instituída no império por Marco Aurélio (218-222 E.C.). Mais tarde, o imperador convertido ao cristianismo, Constantino (313 E.C.), decretou que o sétimo dia da semana fosse um dia descanso para os magistrados e o povo, e que se chamaria domingo, em homenagem ao sol. Sendo Jesus, o Sol que não se apaga, pois ele é a luz que vem de Deus (Luz), esse dia passou a ser o “Dia do Senhor” para o império romano. Os cristãos já o consideravam como dia da ressurreição de Jesus.

Entre Judeus, conforme atesta o historiador Flavio Josefo, era proibido celebrar festas de aniversários entre o povo. Foi o Papa Júlio 1º (337-352) que decretou o Natal como festa do nascimento de Jesus, passando a ser celebrado no dia 25 de dezembro, na outrora festa pagã do Sol Invicto.

Resolvida essa questão polêmica, mais tarde, o imperador Justiniano I, em 542 E.C., decretou a celebração de outras festas decorrentes do Natal, dentre elas: a da apresentação do Menino Jesus no Templo, 40 dias após o Natal, concomitante com a de Nossa Senhora das Candeias.

Rezava a lei judaica (Lv 12,1-4) que toda mulher que desse à luz deveria, quarenta dias depois o parto, ir ao templo de Jerusalém para fazer a sua oferta de purificação e consagração do primogênito. Tudo dependia de sua condição social. Maria e José ofereceram, de sua pobreza, um casal de pombos.

Maria terá levado consigo, conforme o costume, uma vela (candeia) acesa, na procissão de apresentação do Menino Jesus no Templo. Ele era primogênito e, portanto, deveria ser consagrado ao Senhor. A luz ilumina a mãe que leva o filho luz diante da grande Luz, que é Deus. Vela e luz se encontram.

Na Idade Média, Maria passou a ser celebrada como “Nossa Senhora das Candeias (da luz), da Candelária, da Luz ou Purificação.” Essa relação devocional com Maria surgiu da tradição de fé espanhola. Conta-se que nas ilhas Canárias, por volta do ano 1400, quando dois pastores guardavam seus animais perto de uma caverna, eles perceberam que esses não queriam entrar no local, mas os pastores entraram e depararam com uma imagem de Nossa Senhora com o Menino Jesus no colo. O fato tornou-se conhecido. O povo foi ver a imagem e encontrou seres invisíveis com candeias, velas nas mãos ao lado de Nossa Senhora. Daí o título de Nossa Senhora da Candelária.

Muito antes, no entanto, o Papa Gelásio, no seu papado de 492-496, instituiu na Igreja uma solene procissão noturna de velas em homenagem a Maria. A partir de então, essa festa mariana e a da apresentação do Menino Jesus no Templo ganharam tradição no império Romano.

Quando Maria chegou ao Templo, a luz dos olhos do velho Simeão bendiz a Deus por ter visto o Messias, a luz que iluminaria os povos. A luz que seria causa de tropeço para muitos. Por ter trazido a luz ao mundo, Maria também sofreria com uma espada que traspassaria a sua alma, quando a luz dos olhos de seu Filho fosse apagada por seus inimigos.

A nossa vida é marcada, do nascer ao morrer, por trevas, luzes e velas em relação a Deus, substantivo que em sânscrito, umas das línguas indo-europeias mais antigas, se grafa com dêva ou dywe, que vem de div e significa brilhar, e dew, luz, brilho. Assim, da raiz de brilhar, luz, é que se originaram os substantivos Deus e dia. Daí que bom dia, bôdiè, é o mesmo que boa luz e bom deus. Em outras palavras, que Deus seja luz em seu caminho.

Quando Deus criou o mundo, primeiramente, ele fez a luz para a distingui-la das trevas (Gn 1,3). Quando nascemos, nossa mãe dá à luz. Nascemos, chegamos à luz do dia. Noite e trevas rondam o nosso viver. Sempre buscamos a luz. Uns perdem a luz de sua vida e passam a ser sinal de escuridão. Uns até chegam a tirar a luz da sua vida. Triste sina! Outros não têm o acesso à vida digna e passam uma vida inteira sem o brilho da dignidade social.

Quando comemoramos o nosso aniversário, apagamos a luz de velas, significando o fim de um passado e o recomeço na luz de um novo ano de vida. Quando morremos, acendem velas para nós. Celebram o nosso velório que, no passado, era somente à luz de velas. Naquele dia, uma última vela de nossa existência terrena é apagada em nossa vida mortal. Um confrade meu de saudosa memória, Frei Antônio Rocha, disse com voz trêmula, no leito de morte: “Sinto que uma luz está se apagando dentro de mim, não consigo mais!”

Quem foi luz na vida terá a graça de se reencontrar com Deus, a Luz da qual originou a nossa vida. A Luz que nunca apaga na morada eterna. Que sejamos como o Menino Jesus, luz para todos! Que Maria nos ajude a iluminar os caminhos de nossa vida com a vela da fé que a conduziu ao templo de Jerusalém. Que Simeões e Anas nos abençoem no decorrer da apresentação de nossas vidas, até o dia derradeiro de nossa existência, sendo sinal de luz na vida de pessoas e povos. Que Deus luz ilumine o nosso tempo tão marcado pelas trevas do erro, pela desigualdade social, pela ganância de alguns e sofrimento de tantos. Amém! Que sua luz brilhe sempre!

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Assista:

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[1]Doutor em Teologia Bíblica pela FAJE (BH). Mestre em Ciências Bíblicas (Exegese) pelo Pontifício Instituto Bíblico de Roma. Professor de Exegese Bíblica. É membro da Associação Brasileira de Pesquisa Bíblica (ABIB). Sacerdote Franciscano. Autor de dez livros e coautor de quinze. Youtube: Frei Jacir Bíblia e Apócrifos.

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quinta-feira, 1 de fevereiro de 2024

Papa Francisco em mensagem:

Quaresma,
a humanidade tateia ainda na escuridão das desigualdades

Em sua mensagem para a Quaresma 2024, Francisco reconhece que a humanidade de hoje atingiu “níveis de desenvolvimento científico, técnico, cultural e jurídico capazes de garantir dignidade a todos”, mas o risco é que, sem rever os estilos de vida, se caia na “escravidão” de práticas que arruínam o planeta e alimentam as desigualdades.

Foi divulgada, nesta quinta-feira (1°/02), a mensagem do Papa Francisco para a Quaresma 2024 sobre o tema "Através do deserto, Deus guia-nos para a liberdade".

Francisco inicia o texto com um versículo do Livro do Êxodo: «Eu sou o Senhor, teu Deus, que te fiz sair da terra do Egito, da casa da servidão». "Assim inicia o Decálogo dado a Moisés no Monte Sinai", escreve o Papa, acrescentando que "quando o nosso Deus se revela, comunica liberdade".

Deserto, lugar do primeiro amor

"O povo sabe bem de que êxodo Deus está falando: traz ainda gravada na sua carne a experiência da escravidão. Como Israel no deserto tinha ainda dentro de si o Egito, também hoje o povo de Deus traz dentro de si vínculos opressivos que deve optar por abandonar. Damo-nos conta disto, quando nos falta a esperança e vagueamos na vida como em terra desolada, sem uma terra prometida para a qual tendermos juntos", sublinha o Papa.

A seguir, Francisco recorda que "a Quaresma é o tempo de graça em que o deserto volta a ser – como anuncia o profeta Oseias – o lugar do primeiro amor. Deus educa o seu povo, para que saia das suas escravidões e experimente a passagem da morte para a vida. Como um esposo, atrai-nos novamente a si e sussurra ao nosso coração palavras de amor".

Ver a realidade

"O êxodo da escravidão para a liberdade não é um caminho abstrato. A fim de ser concreta também a nossa Quaresma, o primeiro passo é querer ver a realidade. Também hoje o grito de tantos irmãos e irmãs oprimidos chega ao céu", escreve o Pontífice. A seguir, Francisco pergunta: o grito desses nossos irmãos e irmãs "chega também a nós? Mexe conosco? Comove-nos? Há muitos fatores que nos afastam uns dos outros, negando a fraternidade que originariamente nos une".

A este propósito, o Papa recorda sua viagem a Lampedusa, em 8 de julho de 2013, ressaltando que à globalização da indiferença ele contrapôs duas perguntas, que se tornam cada vez mais atuais: «Onde estás?» e «Onde está o teu irmão?». Segundo Francisco, "o caminho quaresmal será concreto, se, voltando a ouvir tais perguntas, confessarmos que hoje ainda estamos sob o domínio do Faraó. É um domínio que nos deixa exaustos e insensíveis. É um modelo de crescimento que nos divide e nos rouba o futuro. A terra, o ar e a água estão poluídos por ele, mas as próprias almas acabam contaminadas por tal domínio. De fato, embora a nossa libertação tenha começado com o Batismo, permanece em nós uma inexplicável nostalgia da escravidão. É como uma atração para a segurança das coisas já vistas, em detrimento da liberdade".

A Quaresma é tempo de conversão, tempo de liberdade

Segundo o Pontífice, "o êxodo pode ser interrompido: não se explicaria de outro modo porque é que tendo uma humanidade chegado ao limiar da fraternidade universal e a níveis de progresso científico, técnico, cultural e jurídico capazes de garantir a todos a dignidade, tateie ainda na escuridão das desigualdades e dos conflitos".

"Deus não se cansou de nós. A Quaresma é tempo de conversão, tempo de liberdade. O próprio Jesus foi impelido pelo Espírito para o deserto a fim de ser posto à prova na sua liberdade. O deserto é o espaço onde a nossa liberdade pode amadurecer numa decisão pessoal de não voltar a cair na escravidão. Na Quaresma, encontramos novos critérios de juízo e uma comunidade com a qual avançar por um caminho nunca percorrido", escreve ainda Francisco, ressaltando que "isto comporta uma luta: assim nos dizem claramente o livro do Êxodo e as tentações de Jesus no deserto".

Mais temíveis que o Faraó são os ídolos

De acordo com Francisco, "mais temíveis que o Faraó são os ídolos: poderíamos considerá-los como a voz do inimigo dentro de nós. Poder tudo, ser louvado por todos, levar a melhor sobre todos: todo o ser humano sente dentro de si a sedução desta mentira. É uma velha estrada. Assim podemos apegar-nos ao dinheiro, a certos projetos, ideias, objetivos, à nossa posição, a uma tradição, até mesmo a algumas pessoas. Em vez de nos pôr em movimento, nos paralisam. Em vez de nos fazer encontrar, nos dividem".

Porém, "existe uma nova humanidade, o povo dos pequeninos e humildes que não cedeu ao fascínio da mentira. Enquanto os ídolos tornam mudos, cegos, surdos, imóveis aqueles que os servem, os pobres em espírito estão imediatamente disponíveis e prontos: uma força silenciosa de bem que cuida e sustenta o mundo".

Agir é também parar

"É tempo de agir e, na Quaresma, agir é também parar: parar em oração, para acolher a Palavra de Deus, e parar como o Samaritano na presença do irmão ferido", sublinha o Papa. Segundo ele, "a oração, esmola e jejum não são três exercícios independentes, mas um único movimento de abertura, de esvaziamento: lancemos fora os ídolos que nos tornam pesados, fora os apegos que nos aprisionam. Então o coração atrofiado e isolado despertará".

Quaresma, tempo de decisões comunitárias

Segundo o Papa, "a forma sinodal da Igreja, que estamos redescobrindo e cultivando nestes anos, sugere que a Quaresma seja também tempo de decisões comunitárias, de pequenas e grandes opções contracorrente, capazes de modificar a vida quotidiana das pessoas e a vida de toda uma coletividade: os hábitos nas compras, o cuidado com a criação, a inclusão de quem não é visto ou é desprezado".

"Na medida em que esta Quaresma for de conversão, a humanidade extraviada sentirá um abalo de criatividade: o lampejar de uma nova esperança", escreve ainda o Papa, recordando as suas palavras dirigidas aos jovens da JMJ de Lisboa, no verão passado: «Procurai e arriscai; sim, procurai e arriscai. Neste momento histórico, os desafios são enormes, os gemidos dolorosos: estamos vivendo uma terceira guerra mundial feita aos pedaços. Mas abracemos o risco de pensar que não estamos numa agonia, mas num parto; não no fim, mas no início de um grande espetáculo. E é preciso coragem para pensar assim».

"É a coragem da conversão, da saída da escravidão. A fé e a caridade guiam pela mão esta esperança menina. Elas a ensinam a caminhar e, ao mesmo tempo, ela as puxa para a frente", conclui a mensagem do Papa.

Mariangela Jaguraba - Vatican News

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Catequese com o padre Zezinho:

Profetas e apóstolos dos últimos tempos?

Pe. Zezinho, scj |||||||||||||||||||||||||||||||

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O pregador disse, mas não provou que era profeta, que era apóstolo e que estamos vivendo os últimos tempos do mundo.

Não basta proclamar-se profeta. Não basta proclamar-se apóstolo. E o fato de alguém ser pregador não o faz profeta nem apóstolo.

Também o fato de alguém dizer que estamos nos últimos tempos do mundo é apenas jogo de palavras. Ninguém pode profetizar isto.

Jesus, que era profeta de verdade, deixou claro que ninguém sabe quando será o fim!

O celular e a TV, apesar do seu lado positivo, muitas vezes transmitem mentiras! E há pregadores religiosos que jogam verde para colher maduro. Não podem provar, mas mesmo assim tumultuam. Está na Bíblia, mas não do jeito que eles usam.

Profeta e apóstolo de hoje não é o mesmo que profeta e apóstolo de ontem. Há mais de 2.700 anos era muito mais sério e muito mais arriscado! …

Proclamar-se o que não se é, é como proclamar-se campeão quando o sujeito chegou em vigésimo lugar. E isto é coisa de impostor.

Jesus já alertava contra isto em Mt 7,15-21. “Cuidado com os falsos profetas” … Falam bonito, mas mentem fazer adeptos!…

LEIAM A BÍBLIA.

Sempre houve falsos profetas, mas o povo continuava e continua a ir atrás deles! Gostava e gosta desse tipo de gente! Não era e não é diferente em 2024!…

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