segunda-feira, 3 de janeiro de 2022

Iniciadas nas paróquias as missas pelo Jubileu dos 60 anos

de elevação do Bispado de Pouso Alegre à Arquidiocese

Dom Majella, ladeado
pelo padre Jésus Andrade (à esquerda) e pelos padres Júnior e Tales (à direita)

No dia 23 de dezembro, quinta-feira, dom José Luiz Majella Delgado, C.Ss.R., arcebispo metropolitano, presidiu missa na igreja matriz de Nossa Senhora de Fátima, em Pouso Alegre (MG), em preparação à comemoração dos 60 anos de elevação do bispado de Pouso Alegre à categoria de arcebispado, ocorrida em 23 de setembro de 1962. Essa paróquia foi a primeira a ser criada após essa data.

A cerimônia foi concelebrada pelos padres Jésus Andrade Guimarães, pároco; José Luiz Faria Júnior e Tales Tadeu Ananias, vigários. Fiéis da paróquia de Nossa Senhora de Fátima estiveram presentes e participaram da missa.

Com esse evento, o arcebispo iniciou a celebração de missas em preparação à comemoração dos 60 anos da arquidiocese, que ocorrerá em 23 de setembro de 2022.

Leigos da paróquia de Nossa Senhora de Fátima
e membros da comissão do Jubileu de 60 anos da arquidiocese.

Até 23 de agosto de 2022, acontecerão missas nas paróquias criadas a partir da data de criação da arquidiocese de Pouso Alegre.

Arcebispo, padres e leigos presentes na missa do dia
23 de dezembro de 2021, que iniciou a programação de missas festivas nas paróquias jubilares.

As próximas paróquias em que ocorrerão as missas em preparação ao jubileu são as de Senador Amaral (23 de janeiro), Nossa Senhora de Fátima (23 de fevereiro), Wenceslau Braz (23 de março), Marmelópolis (23 de abril), Albertina (23 de junho), Sagrada Família/Itajubá (23 de julho) e São José Operário/Pouso Alegre (23 de agosto).

Saiba mais sobre o Ano Jubilar dos 60 anos da arquidiocese.

Com imagens e informações da Pastoral da Comunicação da paróquia de Nossa Senhora de Fátima, em Pouso Alegre.

.............................................................................................................................................................
                                                                                                            Fonte: arquidiocesepa.org.br

Reflexão de dom José Francisco:

 A espontaneidade

De tudo o que irá ficar em nossa vida, o mais relevante serão a verdade e o perdão. Mas a rota desses sentimentos é a espontaneidade quem dá. Se você fizer um balanço do ano, pergunte sobre o perdão, mas também sobre a verdade que faz do perdão um gesto espontâneo. Pode haver gestos de perdão que não sejam verdadeiros, não é?

Jesus de Nazaré entra em cena no século I como um profeta misericordioso, em atos e palavras, cheio de compaixão e de perdão. Mas ele jamais renunciou à espontaneidade da verdade.

Um dia, na Galileia, ele se encontrava em casa de um tal Simão, fariseu: ambiente hermeticamente fechado, dispensado dizer. De repente, entra uma mulher reconhecida pelos homens sérios como pecadora pública, um codinome para prostituta. Sem mais, ela se aproxima, quebra um vaso e inunda os pés de Jesus com um perfume raro.

Os corpos se levantam das cadeiras, os olhos injetam sangue. A irrupção da mulher com seu comportamento provocante teve o ruído de uma bomba no deserto. Mas a mulher, ela mesma, permaneceu silenciosa. Tudo o que se propunha a dizer, na verdade, não disse: ela fez.

Não seria escusado perguntar de onde teria saído dinheiro para um gesto tão caro, nem como foi obsequiada a entrada em ambiente tão refinado. Por acaso, ela mesma não faria parte da história daqueles mesmos homens, de quem tão sisudamente recebia condenação? Senão, como estaria ali, como faria parte, como se aproximaria do convidado principal?

Se nada sabemos, tudo calamos.

Que ela foi corajosamente espontânea e verdadeira, não há como duvidar: onde for proclamado o Evangelho seu gesto será contado.

Era a conquista de tempos bons, nos quais a verdade se impõe por si mesma, abertamente, sem medo de aparecer, porque conta com o perdão, cuja maior verdade é a de perdoar.

Bom Ano para todos!

Dom José Francisco Rezende Dias - Arcebispo de Niterói (RJ)

.............................................................................................................................................................
                                                                                                                                Fonte: arqnit.org

domingo, 2 de janeiro de 2022

Papa Francisco no Angelus deste domingo:

"Deus quer habitar no meio de nós"

"O Verbo se fez carne e habitou entre nós", é a frase do Evangelho de João que o Papa Francisco refletiu no Angelus deste domingo, 2 de janeiro na Praça São Pedro e sugeriu refletirmos diante do presépio sobre os nossos problemas, pedindo ajuda a Deus.

No Angelus deste domingo, 2 de janeiro, que no Brasil é celebrada a Solenidade da Epifania do Senhor, o Papa Francisco falou sobre a frase de João do Evangelho da Liturgia do II Domingo do Tempo de Natal: "O Verbo se fez carne e habitou entre nós". (Jo 1, 14). Em seguida aprofundou as duas realidades presentes nesta frase: “o Verbo e a carne”. “Verbo”, disse o Papa, “indica que Jesus é a Palavra eterna do Pai, infinita, que existe desde sempre, antes de todas as coisas criadas; e "carne", por outro lado, indica precisamente nossa realidade criada, frágil, limitada, mortal”.

Luz e trevas

Depois de indicar que no Prólogo de João há um outro binômio, ou seja, luz e trevas, disse que “Jesus é a luz de Deus que entrou nas trevas do mundo” e que agora com Jesus “luz e trevas se encontram: santidade e culpa, graça e pecado”. E detalhou o anúncio destas polaridades com uma notícia esplêndida: “é a maneira de agir de Deus”, que Deus não se retrai diante de nossas fragilidades ele quer vir “no meio de nós”.

“Deus não se cansa de nos procurar. Se não estivermos prontos e dispostos a recebê-lo, ele prefere vir de qualquer forma”

Então Francisco sugere que mesmo se não nos consideramos dignos d’Ele, o Natal nos convida a ver as coisas “a partir do seu ponto de vista”. Afirmando:

“Deus deseja se encarnar. Se o seu coração parece muito poluído pelo mal, muito desordenado, não se feche, não tenha medo. Pense no estábulo de Belém. Jesus nasceu ali, naquela pobreza, para lhe dizer que não tem medo de visitar o seu coração, de viver uma vida desordenada”, afirmando em seguida:

“Habitar. Este é o verbo usado hoje no Evangelho: ele expressa uma partilha total, uma grande intimidade. Isto é o que Deus quer”

Como habitar com Deus

O Papa dá um exemplo prático de como podemos criar espaço para Ele neste tempo de Natal.

“Parando em frente ao presépio, porque ali mostra Jesus vindo habitar na nossa vida concreta, comum, onde as coisas não vão bem, onde há muitos problemas: os pastores trabalhando duro, Herodes que ameaça os inocentes, uma grande pobreza... Mas no meio de tudo isso, há Deus, que quer habitar conosco”

Por fim o Papa encoraja a convidá-Lo oficialmente “para entrar em nossa vida, especialmente nas áreas escuras, em nossos ‘estábulos interiores’. E falemos-lhe também sem medo dos problemas sociais e eclesiais de nosso tempo, porque Deus ama habitar entre nós”.

                                                                                                                          Jane Nogara

...........................................................................................................................................................................

Assista:

...........................................................................................................................................................................

Francisco:

nas dificuldades o Senhor quer ficar ao nosso lado

“Convidemos o Senhor a entrar em nós, a vir à nossa realidade, por pior que ela seja, como um estábulo”, é o encorajamento do Papa para todos nós.

Depois da oração do Angelus, neste primeiro domingo do ano, o Papa saudou os presentes na Praça, desejando boas-vindas a todos e citando peregrinos de algumas nações, “vejo bandeiras polonesas, brasileiras, uruguaias, argentinas, paraguaias, colombianas e venezuelanas: bem-vindos a todos vocês!”. Francisco saudou “as famílias, as associações, os grupos paroquiais, assim como os adolescentes da Federação Regnum Christi e os jovens da Imaculada Conceição”.

Em seguida encorajou mais uma vez a todos a procurarem Deus e recebê-lo no seu coração: “Neste primeiro domingo do ano, renovo a todos os meus desejos de paz e boa vontade no Senhor. Nos bons e maus momentos, confiemo-nos a Ele, que é nossa força e nossa esperança. E não se esqueçam: convidemos o Senhor a entrar em nós, a vir à nossa realidade, por pior que ela seja, como um estábulo: Pois é, Senhor, não gostaria que entrasse, mas olhe para meus problemas, fique perto de mim’. Vamos fazer isso”.

 .................................................................................................................................................                                                                                                                                 Fonte: vaticannews.va

Reflexões para o Domingo da Epifania do Senhor:

Dos que buscam a casa de Deus

Frei Almir Guimarães

Hoje, os Magos que o procuravam resplandecente nas estrelas, o encontram no berço. Hoje, os Magos veem claramente, envolvido em panos, aquele que há muito tempo procuravam de modo obscuro nos astros (São Pedro Crisólogo).

Domingo da Epifania, domingo dos Magos. Desde nossa infância esses personagens misteriosos foram pedindo licença para ocupar lugar importante de nossa atenção. Havia o presépio das coisas singelas e simples e, de repente, alguém tirava de uma caixa de papelão esses senhores com pompa e coroas, montados em camelos e dando uma tonalidade um tanto grandiosa ao presépio do frágil menino. Ficamos sabendo que eram três. Chegou-se mesmo a dar-lhes nomes: Melchior, Gaspar e Baltasar. Mateus é o único evangelista a mencionar esses personagens que povoaram de cores e luzes nossa imaginação de crianças. O evangelista simplesmente diz que eram Magos e nada mais. Depois, bem depois, místicos e espirituais, nos disseram que eram buscadores de Deus, peregrinos da casa de Deus. Que significado tem esse episódio para nós?

“É nossa própria história, história de nossa peregrinação sem fim, quem deciframos através dos doze versículos do evangelho de Mateus que nos falam desse magos vindos da longínqua Babilônia, guiados pela estrela, obstinados vencedores da imensidão dos desertos como da indiferença e da política na terra em que nasceu o Menino, chegando finalmente a encontrar a Criança e adorar o Deus salvador. É nossa história que lemos ou, dizendo melhor, que devíamos ler neste relato. Não somos todos peregrinos e viajantes, pessoas sem domicilio fixo mesmo quando nunca deixamos nossa casa? Vejam como o tempo passa, como os dias terminam, como a mudança é lei eterna de nossa existência, como estamos sempre indo para frente. Se sinceros somos podemos nos descrever como peregrinos…

O profeta Isaías, na primeira leitura desta solenidade tem palavras de ânimo e de alento. “Levanta-te, acende as luzes Jerusalém, porque chegou a tua luz, apareceu sobre ti a glória do Senhor. Eis que está a terra envolvida em trevas, e nuvens escuras cobrem os povos; mas sobre ti apareceu o Senhor e a sua glória já se manifesta sobre ti. Os povos caminham à tua luz e os reis, ao clarão de tua aurora” (Is 60, 1-3). Luz, claridade, estrela… Os passos desses buscadores da casa de Deus serão guiados pela estrela.

O Menino deitado nas palhas, no despojamento total, é a verdadeira luz que ilumina a todo homem que vem a este mundo. Veio para todo o orbe. Vemos, com a chegada dos Magos, a procissão dos estrangeiros e dos diferentes que buscam a Deus guiados pela estrela. Os Magos representam homens e mulheres que carregam questionamentos e interrogações, que se sentem mal com uma vida vivida pela metade, que querem um sentido de vida pujante, que têm sede de plenitude. Fazem parte do grupo daqueles que Agostinho designa de gente de coração inquieto.

“Hoje os contemplam maravilhados, no presépio, o céu na terra, a terra no céu, o homem em Deus, Deus no homem e, incluído no corpo pequenino de uma criança, aquele que o universo não pode conter. Vendo-o, proclamam sua fé e não discutem, oferecendo-lhe místicos presentes, incenso a Deus, ouro ao rei e mirra ao que haveria de morrer” (São Pedro Crisólogo).

Deus em nosso meio, Deus com rosto de homem, irmão. Mistura do divino e do humano. Deus próximo, Deus Emanuel, Deus dos caminhos do Oriente e Jesus ressuscitado que vive nos chamando para segui-lo. Ele luz que veio a esse mundo para abrir os olhos aos cegos. Claridade da fé.

Os buscadores de Deus:

Muitos nascemos em famílias católicas e fomos sendo envolvidos em ritos e símbolos. Passamos a viver no regime da religião. Muitos desses que foram batizados em criança tiveram ocasião de crescer no conhecimento do Senhor e sempre conservaram saudade da luz. Pode acontecer, no entanto, que muitas pessoas tenham se acostumado com a fé. Há o perigo da rotina, da separação de fé e vida, da privatização da fé. Tais pessoas perderam o gás, não têm o fogo de que fala o Evangelho. Deus não pode ser um mero acessório em nossa vida, ao lado de tudo o que chamamos de vida, de nossa vida.

 Há aqueles que tiveram uma catequese falha, que depois de um tempo de prática deixaram tudo. Formulam perguntas. Acham Deus mudo demais, indiferente a tudo, ao mundo, ao amanhã. Para estes talvez Deus tenha morrido.

Há aqueles que interpelados pelo maravilhoso ou pelo trágico da vida sentem o brilhar de uma estrela, o mero cintilar de uma estrela: um filho que nasce, um fracasso conjugal, a união numa família toda complicada, uma visita na vida de pessoa que era como que um anjo do céu. E tudo mudo.

Há os que encontram ou reencontram a fé frequentando as páginas dos Evangelhos e tentando descobrir o Deus de Jesus Cristo em suas posturas, no comportamento de gente que viveu perto de Jesus, na audácia de Paulo. São pessoas que aos poucos vão dando suas mãos a Zaqueu, ao filho pródigo, à viúva que deposita no cofre do templo tudo o que tem.

Há os que descobrem a Deus na dedicação aos outros. Sua fé é marcada pelo encontro do Senhor nos seres humanos mais abandonados.

Muitos conseguem alimentar sua fé frequentando grupos de pessoas límpidas que perscrutam suas vidas, iluminam suas historias com o evangelho. Pessoas que carregam uma pergunta: “Senhor, onde é a tua casa?

_________________________________________

Quem são esses Magos?
São esses diferentes, esses outros que chegam nesse tempo plural.
São caminhantes rumo a uma Jerusalém bem assentada.
São nômades que chegam a um mundo instalado.
São espreitadores de uma sociedade adormecida.
Constituem a alegria para um mundo triste.
Chegam a Jerusalém com uma pergunta nos lábios:
“Onde está o rei do judeus que acaba de nascer?”
Não precisamos de carregadores de perguntas nós que somos daqueles que conhecem todas as respostas?
Nós que sabemos tudo.
Os Magos chegam à cidade colocar uma bomba.
Chegam ao mais secreto de nós mesmos.
Veem para nos questionar.
São diferentes.
São o outro.
_________________________________________

FREI ALMIR GUIMARÃES, OFM, ingressou na Ordem Franciscana em 1958. Estudou catequese e pastoral no Institut Catholique de Paris, a partir de 1966, período em que fez licenciatura em Teologia. Em 1974, voltou a Paris para se doutorar em Teologia. Tem diversas obras sobre espiritualidade, sobretudo na área da Pastoral familiar. É o editor da Revista “Grande Sinal”.

.........................................................................................................................................................................

Assista à reflexão do Frei Gustavo Medella:

..................................................................................................................................................                                                                                                                          Fonte: franciscanos.org.br

sábado, 1 de janeiro de 2022

Papa Francisco na Missa deste 1º de janeiro:

o olhar materno é o caminho para renascer.
Ferir uma mulher é ultrajar a Deus

A homilia do Papa Francisco na missa na Solenidade de Maria Santíssima é uma homenagem a todas as mães e mulheres. “Há necessidade de pessoas capazes de tecer fios de comunhão, que contrastem os numerosos fios de arame farpado das divisões.”

O ano novo começa sob o signo de Maria, com o Papa Francisco presidindo à celebração eucarística na Basílica Vaticana.

Na Solenidade da Mãe de Deus, o Pontífice dedicou sua homilia a Maria e a todas as mães que, como ela, suportam o “escândalo da manjedoura”.

Esta foi a expressão usada por Francisco para falar do nascimento de Jesus. O Filho de Deus nasce sem nenhuma via preferencial, nem sequer um berço! Como então harmonizar o trono do rei e a pobre manjedoura? Como conciliar a glória do Altíssimo e a miséria de um estábulo?

“Que há de mais duro, para uma mãe, do que ver o seu filho sofrer a miséria?”

Escândalos da manjedoura

E mesmo assim, Maria – diz o Evangelho – guardava todas estas coisas, meditando-as no seu coração» (Lc 2, 19). As adversidades, aliás, têm o poder de fazer amadurecer a fé e também nós temos que lidar com “escândalos da manjedoura”, com o choque entre expectativa e realidade.

Mas hoje a Mãe de Deus nos ensina a tirar proveito deste choque, pois não se pode ressuscitar sem cruz. “É como um parto doloroso, que dá vida a uma fé mais madura.”

Para superar o choque entre o ideal e o real, é preciso fazer como Maria: guardar e meditar. Aceitar e superar, como fazem as mães mundo afora:

“Este olhar inclusivo, que supera as tensões guardando e meditando no coração, é o olhar das mães; é o olhar com que muitas mães abraçam as situações dos filhos. É um olhar concreto, que não se deixa condicionar pelo desconsolo nem se deixa paralisar perante os problemas, mas os coloca num horizonte mais amplo.”

O Papa cita as mães que assistem um filho doente ou em dificuldade: “Quanto amor há nos seus olhos, banhados de lágrimas, que ao mesmo tempo sabem inspirar motivos de esperança!”

É isto que fazem as mães: sabem superar obstáculos e conflitos, sabem infundir a paz. “Há necessidade de pessoas capazes de tecer fios de comunhão, que contrastem os numerosos fios de arame farpado das divisões.”

O novo ano começa sob o signo da Mãe

Francisco então indica o modelo a seguir:

“O olhar materno é o caminho para renascer e crescer. As mães, as mulheres olham o mundo não para o explorar, mas para que tenha vida.”

E enquanto as mães dão a vida e as mulheres guardam o mundo, o apelo do Papa é para que todos se empenhem em promover as mães e proteger as mulheres.

“Quanta violência existe contra as mulheres! Basta! Ferir uma mulher é ultrajar a Deus, que tomou de uma mulher a humanidade”

“No início do Ano Novo, coloquemo-nos sob a proteção desta mulher, a Mãe de Deus, que é nossa mãe. Que Ela nos ajude a guardar e meditar tudo, sem ter medo das provações, na jubilosa certeza de que o Senhor é fiel e sabe transformar as cruzes em ressurreições”, foram os votos do Pontífice.

                                                                                                             Bianca Fraccalvieri

.........................................................................................................................................................................

Papa no Angelus:

no Ano Novo peçamos a proteção de Maria

Em sua primeira oração mariana do novo Ano, o Santo Padre apresenta o “gesto de Nossa Senhora que nos oferece seu Filho recém-nascido. Esta é a maternidade de Maria: o Filho que nasceu, ela nos oferece a todos nós".

Na manhã deste sábado, primeiro dia do Ano 2022, o Santo Padre rezou a Oração do Angelus, com os fiéis reunidos na Praça São Pedro. Em sua alocução mariana, o Papa confiou o Ano Novo a Maria, Mãe de Deus, sobre a qual fala o Evangelho da liturgia de hoje, que nos repropõe, novamente, o encanto do presépio. Os pastores vão, sem demora, à gruta, mas o que lá encontram? “Encontram Maria, José e o Menino, deitado numa manjedoura”. Aqui, o Papa explicou:

“Detenhamo-nos nesta cena e imaginemos Maria que, como mãe amorosa e carinhosa, deita Jesus em uma manjedoura. Este seu gesto representa, para nós, um presente: Nossa Senhora não quer seu Filho só para si, mas o oferece também a nós; ela não o aperta apenas em seus braços, mas o depõe no presépio e nos convida a contemplá-lo, acolhê-lo e adorá-lo. Eis o gesto materno de Maria: oferecer seu Filho recém-nascido para todos nós”.

Menino-Deus conosco!

Maria, disse o Papa, coloca o Menino diante dos nossos olhos e, sem dizer uma só palavra, nos transmite uma mensagem maravilhosa: “Deus está próximo de nós, ao nosso alcance! Ele não vem com o poder de quem causa temor, mas com a fragilidade de quem pede para ser amado; não nos julga do alto de um trono, mas nos olha, a partir de baixo, como um irmão, ou melhor, como um filho”. Por isso, Francisco disse:

“Jesus nasce pequenino e necessitado para que ninguém tenha vergonha de si mesmo: quando experimentamos nossa fraqueza e fragilidade, sentimos que Deus está bem mais perto de nós, porque assim se apresentou a nós: fraco e frágil. O Deus-Menino veio, não para excluir ninguém, mas para nos tornar todos irmãos e irmãs”

Ano Novo começa com Deus

Em suas reflexões, Francisco recordou que o “Ano Novo começa com Deus, nos braços da Mãe e deitado numa manjedoura, que nos encoraja com ternura. Quem não precisa de encorajamento, sobretudo nestes tempos incertos e difíceis por causa da pandemia! De fato, muitos temem o futuro e são oprimidos por situações sociais, problemas pessoais, perigos da crise ecológica, injustiças e desequilíbrios econômicos globais”.

Depois, lembrando da imagem de “Maria com seu Filho nos braços”, o Papa dirigiu seu pensamento “às jovens mães e seus filhos, que fogem das guerras e da escassez ou estão à espera em campos de refugiados:

“Contemplando Maria, que depõe Jesus na manjedoura, à disposição de todos, lembremos que o mundo muda e a vida de todos só pode melhorar se nos colocarmos à disposição dos outros, sem esperar que eles venham ao nosso encontro. Somente se nos tornarmos artesãos da fraternidade, poderemos recompor um mundo dilacerado por guerras e violências”

Dia Mundial da Paz

A seguir, falando sobre o “Dia Mundial da Paz”, que se celebra neste início de ano, o Santo Padre citou uma frase da sua Mensagem para esta ocasião: “A paz é uma dádiva do alto e fruto de um empenho compartilhado”:

“Esta dádiva, que vem do alto, deve ser implorada a Jesus, porque não a podemos manter sozinhos. A paz só pode ser construída se reinar em nossos corações e se a recebermos do Príncipe da Paz”. Mas, é também um nosso compromisso, que exige um primeiro passo e gestos concretos; pode ser edificada com a nossa atenção aos últimos, com a promoção da justiça e a coragem do perdão, que apaga o fogo do ódio”

Por fim, Francisco disse que devemos ter também “uma visão positiva da paz”; olhar sempre, tanto na Igreja como na sociedade, não ao mal que nos divide, mas ao bem que nos pode unir! E recomendou: “Não devemos desanimar ou reclamar, mas arregaçar as mangas para construir a paz. Que a Mãe de Deus, Rainha da Paz, nos obtenha, no início deste ano, paz aos nossos corações e ao mundo inteiro”.

.........................................................................................................................................................................

Assista:

 .................................................................................................................................................                                                                                                                                 Fonte: vaticannews.va

Sábia reflexão de Dom João Justino:

 Ano Novo, Novo Tempo

A sensação de que o tempo passa cada vez mais rápido é uma observação comum. Do ponto de vista cronológico, as horas, os dias, os meses e os anos têm a mesma medida. A referida sensação é resultado não da aceleração do tempo, mas da velocidade sempre maior com que se obtém os resultados de grande parte dos trabalhos. Se pensamos a comunicação, logo se percebe como os avanços tecnológicos dispensaram, entre outros, os telégrafos, as cartas manuscritas, os telefones públicos. Grande parte da população lida diariamente com redes sociais e por elas bilhões de mensagens são trocadas todos os dias em todo o mundo. Se pensamos o transporte, em especial a tecnologia da aviação, é possível fazer viagens intercontinentais em menos de doze horas. Essas conquistas da contemporaneidade tornaram o mundo uma aldeia global.

Ao comunicar-se e ao locomover-se cada vez com maior rapidez, a pessoa tem a impressão de que o tempo corre demais, passa mais depressa. Acumula-se nas agendas um número maior de compromissos e atividades em períodos menores. E deseja-se sempre mais tempo para ser preenchido com mais atividades. Sabe-se que tal frenesi causa cansaço, estresse e desgastes físico e emocional. Mesmo assim a maioria das pessoas parece querer alongar as horas para desfrutar mais do tempo.

O tempo toca diretamente a experiência existencial de cada pessoa. Exemplo são as crianças, quando desejam que o tempo passe mais rápido para que alcancem a vida adulta. Ou os idosos, que lamentam ter o tempo de suas vidas passado tão rápido. Ou os jovens, que estão a planejar seu futuro, uma questão nítida e pertinente ao tempo. O tempo de validade não se restringe apenas a produtos a serem consumidos, mas também inclui capacidades, como a habilitação para a direção de veículos que, de tempos em tempos, precisa ser renovada. Ou exames médicos que se deve fazer com certa periodicidade. E a chamada “prova de vida”, que deve ser feita anualmente pelos que recebem benefícios previdenciários.

Começo a entender que a maturidade humana passa pela boa relação com o tempo. Superar a visão do tempo como algoz que estaria a castigar-nos com o irrefreável tique-taque dos minutos, com uma percepção mais amiga da condição temporal da existência. Numa linguagem, franciscana, alcançar a liberdade de tratar o tempo como irmão. Nesse sentido, é de estupenda beleza o que escreve Raduan Nassar em sua obra Lavoura Arcaica: “…rico não é o homem que coleciona e se pesa no amontoado de moedas, e nem aquele, devasso, que se estende, mãos e braços, em terras largas; rico só é o homem que aprendeu, piedoso e humilde, a conviver com o tempo, aproximando-se dele com ternura, não contrariando suas disposições, não se rebelando contra o seu curso, não irritando sua corrente, estando atento para o seu fluxo, brindando-o antes com sabedoria para receber dele os favores e não a sua ira; o equilíbrio da vida depende essencialmente deste bem supremo, e quem souber com acerto a quantidade de vagar, ou a de espera, que se deve pôr nas coisas, não corre nunca o risco, ao buscar por elas, de defrontar-se com o que não é; porque só a justa medida do tempo dá a justa natureza das coisas…”. O ano novo seja tempo para você conquistar essa riqueza: saber conviver com o tempo. Feliz 2022!

Dom João Justino de Medeiros Silva Administrador Apostólico da Arquidiocese de Montes Claros (MG)
...............................................................................................................................................................
                                                                            Fonte: cnbb.org.br     Ilustração: vaticannews.va

Reflexão de dom Vital Corbellini para este 1º dia de 2022:

 Maria, Mãe de Deus e a paz

No início de cada ano, a liturgia coloca-nos a benção de Deus, para que ao longo do ano e em nossa vida, tudo ocorra conforme a vontade de Deus (cfr. Nm 6,24-26). É também ocasião para que a Igreja festeje Maria, como Mãe de Deus e também a graça e a responsabilidade humana para a construção da paz. Cristo é a paz (cfr. Ef 2,14), é o Príncipe da Paz (cfr. Is 9,5). Para o dia mundial da paz, ano de 2022, o Papa Francisco adverte à humanidade e a todos nós a necessidade da paz, ressaltando a educação, trabalho, diálogo entre as gerações: instrumentos para a construção de uma paz duradoura. Ele colocou a necessidade de que se aumentem os orçamentos à educação e à saúde e haja a diminuição dos orçamentos militares, com as armas, para que a paz ocorra em todas as nações e povos. Vamos construir um mundo diferente pelo reinado da paz e do amor.

Theotókos

Maria disse sim ao plano do Senhor para a salvação da humanidade. Maria sendo percebida com o título de Mãe de Deus, aquela que gerou na carne o Filho de Deus, esta doutrina teve a sua origem na escola de Alexandria. A partir do século IV em diante este título foi bastante usado pelos padres da Igreja, diante das polêmicas de Nestório, que preferia o Christotókos, Maria como aquela que gerou o Cristo, houve a sua definição no Concílio de Éfeso, 431. O fato foi que em Maria não se aludiu a ela um título de deusa, mas como aquela criatura, preservada do pecado original pelo Senhor, a qual colaborou com o plano de Deus na redenção da humanidade[1]. A seguir nós veremos como os padres da Igreja elaboraram uma doutrina a respeito de Maria, com o título de Mãe de Deus.

Na humanidade, Cristo Jesus nasceu da Virgem Maria

São Vicente de Lérins, escritor eclesiástico da Gália, França, século V, afirmou que a unidade da pessoa de Cristo se constituiu e se aperfeiçoou não após o parto da Virgem, mas no mesmo útero virginal e que Ele é um com o Pai e um com a Mãe. Nele Deus se uniu ao ser humano e é de unidade pessoal não após o batismo, a ressurreição ou na sua ascensão, mas sim na mãe, no útero, no momento mesmo da concepção virginal. Por esta unidade na pessoa do Senhor se dá a propriedade de Deus ao ser humano e as propriedades da carne se atribuem a Deus. Desta forma o Verbo de Deus nasceu da Virgem Maria. Por isso devemos professar que Maria pela graça de Deus, é Mãe de Deus, pelo dom do nosso Senhor Deus, que é o seu Filho, Jesus Cristo[2].

Hino à mãe de Deus e a paz

Rábula de Edessa, bispo na Síria, século V, compôs um hino à Virgem Maria como mãe de Deus. Ela é santa, mas Maria é também tesouro maravilhoso e esplêndido, dado a todo o mundo, luz irradiante do Incompreensível, templo puro do Criador de todas as coisas. Através dela foi anunciado Aquele que tirou os pecados do mundo e os redimiu. Fortalece a nossa fé e doa a paz para o mundo inteiro. O bispo teve presente que os fieis supliquem à Maria para que a nossa maldade não leve para a ruína e Maria volta-se ao seu povo, enquanto ela reza ao seu Unigênito, o Filho saído dela, para que tenha piedade de todos os fiéis, pela sua santa oração[3].

Eva e a Virgem Maria

São Justino de Roma, padre da Igreja, século II, teve presentes às duas mulheres em relação com o Senhor Deus. Se Eva enquanto era ainda virgem e incorrupta, tendo concebido a palavra que a serpente lhe disse, deu à luz a desobediência e a morte, a virgem Maria concebeu fé e alegria, quando o anjo Gabriel lhe comunicou que o Espírito Santo viria sobre ela e a força do Altíssimo a cobriria com sua sombra, de modo que o santo que nasceu será o Filho de Deus (cfr. Lc 1,35). Por isso ela respondeu à proposta do Senhor de uma forma positiva colocando-se a disposição de sua palavra (cfr. Lc 1,38)[4].

Maria, a segunda Eva

Santo Ireneu de Lyon, bispo, séculos II e III afirmou que Maria é a segunda Eva, a sua advogada, porque enquanto a primeira Eva deixou-se seduzir de modo a desobedecer a Deus, a segunda deixou-se persuadir a obedecer a Deus, para que, da virgem Eva, a Virgem Maria se tornasse advogada. Se o gênero humano submeteu-se à morte por uma virgem, ele libertou-se dela por uma outra virgem, porque a desobediência de uma virgem foi contrabalançada pela obediência de uma outra virgem. O pecado do primeiro ser humano foi curado pela correção de conduta do Primogênito[5].

Ainda em Santo Ireneu encontra-se o dado que Maria contribuiu para a salvação vinda ao mundo com Jesus Cristo. Se pela desobediência de Eva tornou-se para si e para todo o gênero humano causa da morte, Maria, pela sua obediência se tornou para si e para todo o gênero humano, causa de salvação[6].

O Verbo veio ao mundo pelo seio de Maria

Santo Atanásio, bispo de Alexandria, século IV disse que o Senhor assumiu um corpo semelhante ao nosso de modo que Maria entrou presente neste mistério. Foi dela que o Verbo assumiu aquele corpo, que se ofereceu pelos seres humanos. A Sagrada escritura teve presentes que no nascimento do Senhor, o menino foi envolto em panos (Lc 2,7). Ele é o Filho de Deus na carne, de modo o anjo Gabriel disse para Maria que o Santo que nascer dela, será Filho de Deus (Lc 1,35). Desta forma o Verbo de Deus, recebendo nossa natureza humana e oferecendo-se em sacrifício, assumiu-a em sua totalidade, para que a humanidade fosse revestida da sua natureza divina[7].

Maternidade divina de Maria

São Cirilo de Alexandria, bispo, séculos IV e V afirmou contra Nestório, bispo de Constantinopla, a maternidade divina de Maria. Para ele causava admiração que alguns duvidassem em dar à Virgem Santíssima, o título de Mãe de Deus. De fato, se nosso Senhor Jesus Cristo é Deus, por que motivo não pode ser chamada de Mãe de Deus a Virgem que o gerou? O bispo de Alexandria lembrou que Santo Atanásio, também escreveu que a Virgem recebeu o titulo de Mãe de Deus. Desta forma, o Emanuel, Deus-conosco, possui duas realidades isto é, a divindade e a humanidade, sendo um só Senhor Jesus Cristo, único e verdadeiro Filho natureza, e ao mesmo tempo, Deus e homem[8].

Maria gerou o Senhor

Santo Agostinho bispo de Hipona, séculos IV e V também teve presente Maria com o título de Mãe de Deus. O bispo defendeu a expressão que Maria deu ao nascimento o Senhor na natureza humana. O Senhor do céu e da terra nasceu de Maria. Ele também disse que Deus nasceu de uma mulher na realidade humana[9].

Maria recebeu o título de Mãe de Deus. Ela gerou na carne o Filho de Deus, de modo que a ela lhe é dado este título. Como disse São Cirilo de Alexandria, o fato de que o Filho de Deus é também Filho de Maria, gerado por ela pela realidade humana, Maria leva este titulo. A sua comemoração é dada no inicio do ano. Ela leve os nossos pedidos ao seu Filho Jesus Cristo. A Paz esteja presente em nossas relações e o mundo se preocupe com a paz, construindo educação, trabalho, diálogo, como nos fala o Papa Francisco de modo que haja mais investimentos na educação, na paz e menos em armas, as quais destroem vidas. Nós devemos lutar pela vida, porque Deus é paz, é vida, é amor.

....................................................................................................................................................................................................................................................

[1] Cfr. E. Peretto. Theotokos. In: Nuovo Dizionario Patristico e di Antichità Cristiane, diretto da Angelo Di Berardino, P-Z. Marietti, Genova, 2008, pg. 5346.

[2] Cfr. Vincenzo di Lérins. Commonitorio, 15. In: La teologia dei padri, v. 2. Città Nuova Editrice, Roma, 1982, pgs. 159-160.

[3] Cfr. Rabbula di Edessa. Inni liturgici, 1-4. In: Idem, pg. 163.

[4] Cfr. Justino de Roma. Diálogo com Trifão, 100,5. Paulus, São Paulo, 1995, pg. 265.

[5] Cfr. Ireneu de Lião. Livro V,19,1. Paulus, São Paulo, 1995, pg. 569.

[6] Cfr. Idem. Livro III, 22,4, pg. 352.

[7] Cfr. Das Cartas de Santo Atanásio, bispo. In: Liturgia das horas, I. Editora Vozes, Paulinas, Paulus, Editora Ave-Maria, 1999, Aparecida, SP, 1999, pgs. 435-436.

[8] Cfr. Das Cartas de São Cirilo de Alexandria, bispo. In: Idem, III, pgs. 1381-1382.

[9] Cfr. Sant´Agostino. Serm. 51,12,20; De Trin. 8,5,7. Maria “Dignitas terrae,. Introduzione e note a cura di Agostino Trapè, revisione a cura di Oreste Campagna. Nuova Biblioteca Agostiniana, Città Nuova Editrice, Roma, 1995, pg. 32.

                                                             Dom Vital Corbellini - Bispo de Marabá (PA)

...............................................................................................................................................................
                                                                              Fonte: cnbb.org.br     Ilustração: acidigital.com