sexta-feira, 3 de setembro de 2021

23º Domingo do Tempo Comum:

Leituras e reflexão
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1ª Leitura: Is 35,4-7a

Leitura do Livro do Profeta Isaías:

Dizei às pessoas deprimidas: “Criai ânimo, não tenhais medo! Vede, é vosso Deus, é a vingança que vem, é a recompensa de Deus; é ele que vem para vos salvar”.

Então se abrirão os olhos dos cegos e se descerrarão os ouvidos dos surdos. O coxo saltará como um cervo e se desatará a língua dos mudos, assim como brotarão águas no deserto e jorrarão torrentes no ermo.

A terra árida se transformará em lago, e a região sedenta, em fontes d’água.

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Salmo Responsorial:145
- Bendize, ó minha alma, ao Senhor./ Bendirei ao Senhor toda a vida!

- Bendize, ó minha alma, ao Senhor./ Bendirei ao Senhor toda a vida!

- O Senhor é fiel para sempre,/ faz justiça aos que são oprimidos;/ ele dá alimento aos famintos,/ é o Senhor quem liberta os cativos.

- O Senhor abre os olhos aos cegos,/ o Senhor faz erguer-se o caído;/ o Senhor ama aquele que é justo./ É o Senhor quem protege o estrangeiro.

- Ele ampara a viúva e o órfão,/ mas confunde os caminhos dos maus./ O Senhor reinará para sempre!/ Ó Sião, o teu Deus reinará/ para sempre e por todos os séculos!

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2ª Leitura: Tg 2,1-5

Leitura da Carta de São Tiago:

Meus irmãos: a fé que tendes em nosso Senhor Jesus Cristo glorificado não deve admitir acepção de pessoas.

Pois bem, imaginai que na vossa reunião entra uma pessoa com anel de ouro no dedo e bem vestida, e também um pobre, com sua roupa surrada, e vós dedicais atenção ao que está bem vestido, dizendo-lhe: “Vem sentar-te aqui, à vontade”, enquanto dizeis ao pobre: “Fica aí, de pé”, ou então: “Senta-te aqui no chão, aos meus pés”, não fizestes, então, discriminação entre vós? E não vos tornastes juízes com critérios injustos?

Meus queridos irmãos, escutai: não escolheu Deus os pobres deste mundo para serem ricos na fé e herdeiros do Reino que prometeu aos que o amam?

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Evangelho: Mc 7,31-37

Leitura do Evangelho de São Marcos:

Naquele tempo, Jesus saiu de novo da região de Tiro, passou por Sidônia e continuou até o mar da Galileia, atravessando a região da Decápole.

Trouxeram então um homem surdo, que falava com dificuldade, e pediram que Jesus lhe impusesse a mão. Jesus afastou-se com o homem, para fora da multidão; em seguida, colocou os dedos nos seus ouvidos, cuspiu e com a saliva tocou a língua dele. Olhando para o céu, suspirou e disse: “Efatá!”, que quer dizer: “Abre-te!”

Imediatamente seus ouvidos se abriram, sua língua se soltou e ele começou a falar sem dificuldade.

Jesus recomendou com insistência que não contassem a ninguém. Mas, quanto mais ele recomendava, mais eles divulgavam.

Muito impressionados, diziam: “Ele tem feito bem todas as coisas: Aos surdos faz ouvir e aos mudos falar”.

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Reflexão do Pe. Johan Konings:
A verdadeira religião liberta o ser humano do mal

No domingo passado, vimos Jesus criticando as tradições humanas que desviam a gente da verdadeira vontade de Deus, o bem de seus filhos e filhas. Agora, o evangelho mostra o exemplo do próprio Jesus. Depois de ter dado à mulher pagã as “migalhas” do pão dos filhos, Jesus cura, na mesma região pagã (a Decápole), um surdo-mudo, e o povo se põe a clamar: “Tudo ele tem feito bem!” Com isso, Jesus realiza o que o profeta Isaías sonhou para o tempo do Messias: os olhos dos cegos vão se abrir, abrem-se também os ouvidos dos surdos, os aleijados vão pular feito cabritos e a língua dos mudos entoará um cântico (1ª leitura). Convém lembrar aqui que os cegos e os coxos eram excluídos do templo…. A vinda do Messias transforma os excluídos – pagãos, coxos, cegos, aidéticos, favelados, presos – em filhos do Reino. Conforme Santo Irineu, a glória de Deus é que o ser humano tenha vida – e a vida do ser humano é contemplar Deus…. Trata-se de uma certeza fundamental de nossa fé: Deus deseja que todos e todas tenham vida. A religião é para o bem da humanidade.

Com certeza, todo mundo se declara de acordo com isso. Mas, muitas vezes, a religião é usada para dominar as pessoas, para que fiquem quietas e não protestem contra a exploração pelos poderosos (que querem até passar por bons cristãos)… Será isso promover a vida do ser humano? Dizem que os que sofrem serão recompensados na eternidade. Mas isso não justifica que se faça sofrer aqui na terra! Também a vida neste mundo pertence a Deus: é o aperitivo da vida eterna.

O Deus da Bíblia quer o bem das pessoas desde já. Pode existir doença, sofrimento, mas não é a última palavra. Somos chamados a participar com Deus no aperfeiçoamento da criação. Por isso, o povo saúda a chegada do Messias exclamando: “Tudo ele tem feito bem”.

Deus não pode servir para legitimar nenhuma opressão. A verdadeira religião liberta o ser humano do mal, também do mal político e econômico. Religião que pactua com a opressão não é a de Jesus. O cristianismo deve servir para o bem do ser humano: o bem de todos e do homem todo.

A religião serve para o bem de todos, eliminando exploração e discriminação (2ª leitura). Para dar chances a uma ordem melhor, provoca até revoluções, se as estruturas vigentes produzem desigualdade e injustiça. Pois a justiça é a exigência mínima do amor.

A religião serve para o bem do homem todo, para aquelas dimensões que facilmente são esquecidas: a integridade da vida (contra a tortura, a irresponsabilidade com a vida nova etc); a integridade do verdadeiro amor (contra a exploração erótica, o amor descartável etc), o crescimento espiritual (contra o imediatismo, o materialismo etc), o sentido último da vida (contra a mecanização e encobrimento da morte).

Para que o povo excluído possa exclamar: “Tudo ele tem feito bem”, muito ainda deve mudar na maneira de vivermos o ensinamento e o exemplo de Jesus!

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PE. JOHAN KONINGS nasceu na Bélgica em 1941, onde se tornou Doutor em Teologia pela Universidade Católica de Lovaina, ligado ao Colégio para a América Latina (Fidei Donum). Veio ao Brasil, como sacerdote diocesano, em 1972. Em 1985 entrou na Companhia de Jesus (Jesuítas) e, desde 1986, atua como professor de exegese bíblica na FAJE, Faculdade Jesuíta de Filosofia e Teologia, em Belo Horizonte. Este comentário é do livro “Liturgia Dominical, Editora Vozes.

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                                                       Fonte e ilustração: franciscanos.org.br       Banner: cnbb.org.br

quinta-feira, 2 de setembro de 2021

Oportuna reflexão de Dom Rodolfo Luís:

Brasil, nossa Pátria

Estamos na Semana da Pátria e os textos bíblicos deste domingo provocam reflexões oportunas sobre o nosso Brasil e como viver nele como cristãos católicos. Cabe ressaltar que a liturgia católica sempre lê estes textos no 23º domingo do Tempo Comum do Ano B.

Dom Rodolfo Luís

O profeta Isaías 35,4-7 anuncia esperança: “Dizei às pessoas deprimidas: ‘Criai ânimo, não tenhais medo! Vede, é vosso Deus, é a vingança que vem, é a recompensa de Deus; é ele que vem para vos salvar”. O Brasil tem problemas que afetam a situação existencial das pessoas e o funcionamento das instituições. A pandemia da covid-19 se somou a tantos graves problemas existentes e os agravando. O profeta não tem a missão de prever catástrofes, mas sim de anunciar esperança. Por isso, as palavras do profeta Isaías são muito oportunas e alentadores no contexto atual. São palavras dirigidas às pessoas que tem medo. O medo é um bom alerta para os perigos. O coronavírus deve ser temido e estimular a tomada de providências para proteger-se, mas não pode tirar o ânimo de viver, nem impedir a tomada de decisões. É um inimigo a ser enfrentado e derrotado de cabeça erguida.

O salmo 146 reza: “O Senhor é fiel para sempre, faz justiça aos que são oprimidos; ele dá alimento aos famintos, é o Senhor quem liberta os cativos. O Senhor abre os olhos aos cegos, o Senhor faz erguer-se o caído; o Senhor ama aquele que é justo. É o Senhor quem protege o estrangeiro”. O salmo acentua a justiça. O Compêndio da Doutrina Social da Igreja, nos números 201 a 203 ensina sobre os valores fundamentais da vida social e, entre eles está a justiça. “A justiça é um valor. (…) Segundo a sua formulação clássica, ela ‘consiste na vontade constante e firme de dar a Deus e ao próximo o que lhes é devido’. Do ponto de vista subjetivo, a justiça se traduz na atitude determinada pela vontade de reconhecer o outro, como pessoa, ao passo que, do ponto de vista objetivo, ela constitui o critério determinante da moralidade no âmbito intersubjetivo e social. (…) “A justiça, com efeito, não é uma simples convenção humana, porque o que é “justo” não é originalmente determinado pela lei, mas pela identidade profunda do ser humano”.

As palavras do Apóstolo São Tiago 2,1-5 são muito claras e compreensivas. Condenam todas as formas de discriminação, infelizmente ainda tão abundantes no nosso Brasil. “Meus irmãos, a fé que tendes em nosso Senhor Jesus Cristo glorificado não deve admitir acepção de pessoas. Pois bem, imaginai que na vossa reunião entra uma pessoa com anel de ouro no dedo e bem vestida, e também uma pessoa pobre, com sua roupa surrada, e vós dedicais atenção ao que está bem vestido, dizendo-lhe: ‘Vem sentar-te aqui, à vontade’, enquanto dizeis ao pobre: ‘Fica aí, de pé”, ou então: ‘Senta-te aqui no chão, aos meus pés” – não fizestes, então, discriminação entre vós? E não vos tornastes juízes com critérios injustos?”

O santo Evangelho de Marcos 7,31-37 relata a cura de um surdo. “Muito impressionados, diziam: “Ele tem feito bem todas as coisas: Aos surdos fez ouvir e aos mudos falar”. A cura permitiu a esta pessoa ouvir e falar, portanto conseguiu participar mais plenamente na sociedade. Os cidadãos têm o direito de ouvirem informações verdadeiras sobre a situação do país. Como também tem a liberdade de manifestarem-se e de falar. Mas uma comunicação guiada pelo critério da verdade que objetiva a edificação da sociedade fraterna. Disse o Papa Francisco. “Todos somos responsáveis pela comunicação que fazemos, pelas informações que damos, pelo controle que podemos conjuntamente exercer sobre as notícias falsas, desmascarando-as. Todos estamos chamados a ser testemunhas da verdade: a ir ver e partilhar”.

                                           Dom Rodolfo Luís Weber - Arcebispo de Passo Fundo (RS)

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Papa Francisco:

avançar com os jovens
para estilos de vida que respeitam o meio ambiente

Na mensagem em vídeo, Francisco volta a falar da crise ambiental que a humanidade atravessa, com destaque para os jovens, pois considera que eles estão na vanguarda das questões ecológicas jovens "têm a grandeza de empreender projetos de melhoria ambiental e social".

Um estilo de vida sóbrio e ecossustentável é o que pede o Papa Francisco na videomensagem com a intenção de oração para setembro, mês do Tempo da Criação, divulgada pela Rede Mundial de Oração do Papa.

A edição de setembro do Vídeo do Papa faz parte da celebração anual, global e ecumênica do Tempo da Criação que tem início nesta quarta-feira, 1º de setembro, Dia Mundial de Oração pelo Cuidado da Criação, e prossegue até 4 de outubro, festa de São Francisco de Assis, padroeiro da ecologia.

Na mensagem em vídeo, divulgada nesta quarta-feira (01/09), o Papa Francisco volta a falar da crise ambiental que a humanidade atravessa, com destaque para os jovens, pois considera que eles estão na vanguarda das questões ecológicas.

Fico muito feliz em ver que os jovens têm a grandeza de empreender projetos de melhoria ambiental e social, já que as duas coisas caminham juntas. Nós, adultos, podemos aprender muito com os jovens, porque, em tudo o que diz respeito ao cuidado do planeta, os jovens estão na vanguarda. Aproveitemos o seu exemplo, reflitamos, especialmente nestes momentos de crise, crise sanitária, crise social, crise ambiental, reflitamos sobre o nosso estilo de vida.

“Não nos servirá descrever os sintomas, se não reconhecermos as raízes humanas da crise ecológica”, recorda o Papa na Encíclica Laudato si’. O Pontífice nos convida a questionar a forma como vivemos e utilizamos os bens materiais, "sobre a forma como nos alimentamos, consumimos, deslocamo-nos, ou o uso que fazemos da água, da energia e do plástico, e de tantos bens materiais que muitas vezes são prejudiciais à Terra. Vamos escolher mudar! Vamos avançar com os jovens para estilos de vida mais simples e que respeitam o meio ambiente", diz Francisco na videomensagem.

E rezemos para que todos nós tomemos as decisões corajosas, as decisões necessárias para uma vida mais sóbria e ecossustentável, sendo inspirados pelos jovens que estão comprometidos com esta mudança. E eles não são tolos, porque estão comprometidos com seu futuro. É por isso que eles querem mudar o que vão herdar num tempo em que nós já não estaremos lá.

A raiz humana da crise ecológica

A necessidade de ações urgentes para combater a crise ambiental e social não é nova. Há cada vez mais alertas globais para tentar conscientizar a humanidade de que algo precisa mudar. Em junho passado, a ONU advertiu que "a Terra está alcançando rapidamente ‘extremos irreversíveis’ e que enfrentamos uma ameaça tripla: a perda de biodiversidade, a mudança climática e o aumento da poluição".  Isso impacta a vida de todos: “A degradação do mundo natural já está prejudicando o bem-estar de 3,2 bilhões de pessoas, ou seja, 40% da humanidade”. O secretário-geral da ONU, Antônio Guterres, acrescentou que “a humanidade há muito vem destruindo as florestas do planeta, poluindo seus rios e oceanos e arando desordenadamente a terra. Estamos devastando os ecossistemas que sustentam nossas sociedades”.

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Assista:

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quarta-feira, 1 de setembro de 2021

Reflita com Dom Paulo Peixoto:

Setembro, Mês da Bíblia

A Palavra de Deus deve estar cotidianamente presente na vida dos cristãos. A bíblia é a fonte dessa Palavra, evidenciada com destaque no mês de setembro através de algum tema sugestivo para reflexão. Neste ano de 2021 o destaque é dado ao Livro de São Paulo aos Gálatas, com o lema, “Pois todos vós sois um só, em Cristo Jesus” (Gl 3,28), um convite para a prática da unidade comunitária.

Através de sua Palavra, Deus injeta esperança na vida do povo, provoca coragem e ânimo nos ouvintes e exercício fecundo da liberdade cristã. Palavra com exigência de ser ouvida e transmitida, tirando as pessoas da surdez para assumir as propostas do Reino de Deus. Palavra que abre caminho de vida e dignidade, porque nela está a intervenção de Deus na vida daqueles que o acolhem.

A vida cristã se sustenta e consegue resistir às influências do secularismo hodierno com a força da Palavra de Deus. Ela ajuda no desmonte dos instrumentos que têm desvirtuado as bases da fé. Consegue também abrir caminho seguro de confiança e restauração de forças para o indivíduo agir. Muitas deficiências na vida podem ser sanadas e libertar as pessoas com o apoio da Palavra bíblica.

A bíblia não é uma coleção de livros literários. Aliás, muito mais do que isto, porque é fruto de práticas comunitárias com marcas históricas milenares e reconhecidas como de inspiração divina com a contribuição dos limites de seus escritores. A Palavra de Deus articula fé e vida, porque une a ação de Deus e a prática de vida das pessoas. Exige o exercício da justiça e do amor para dar dignidade às pessoas.

Uma das características da Palavra divina é a imparcialidade na opção pela vida das pessoas. Não há ali favorecimento para esta ou aquela pessoa, a não ser a opção pelo mais sofrido da sociedade. Apesar de amar a todos indistintamente, há uma preferência de Deus pelos pobres (Tg 2,5), porque muitas vezes eles estão assim porque foram explorados e desvalorizados na sua incapacidade de ação.

Outra tônica da Palavra é o cuidado e o zelo para com o ser humano, tratado como obra-prima da criação. Cada pessoa é vista a partir de suas reais necessidades. Assim fez Jesus em relação aos doentes, aos surdos, mudos, coxos, devolvendo a eles sua dignidade. Assim, a Palavra de Deus, com destaque em setembro, deve abrir o nosso coração e nos deixar transformar por ela todo dia.

                                              Dom Paulo Mendes Peixoto - Arcebispo de Uberaba (MG)

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                                                                             Fonte: cnbb.org.br   Ilustraçãovaticannews.va

Dom Walmor abre Mês da Bíblia e deseja

que a luz da Palavra de Deus ilumine a Semana da Pátria

A Igreja no Brasil abriu, nesta quarta-feira, 1º de setembro, o Mês da Bíblia, com uma Celebração Eucarística presida pelo arcebispo de Belo Horizonte (MG) e presidente da CNBB, dom Walmor Oliveira de Azevedo, no Santuário de Nossa Senhora da Piedade. Em sua homilia, dom Walmor manifestou alegria em celebrar os 50 anos do Mês da Bíblia e desejou que a luz da Palavra de Deus ilumine as celebrações da Semana da Pátria, momento em que “nós somos chamados a pensar de modo muito profundo e sério, comprometidos sobre a nação brasileira que nós formamos”. 

Todos são, segundo dom Walmor, “exigidos de uma cidadania qualificada, marcada pelo diálogo, pela solidariedade, pelo respeito, pela cooperação, por um olhar que atinge os mais pobres, sem radicalismos, sem polarizações, sem disputas”. O presidente da CNBB ainda ressaltou a necessidade de reconciliação na sociedade brasileira. “E nós os cristãos temos que contribuir de modo cada vez mais decisivo. Não temos tempo a perder, não podemos jogar fora energias, não podemos perder oportunidades”, exortou ao destacar o compromisso de reconciliação como tarefa de todos.

“É por isso que suplicamos a Deus a oportunidade de vivermos essa Semana da Pátria de uma maneira diferente: no diálogo, no respeito, no respeito às instituições democráticas, na contribuição bonita e importante da nossa cidadania qualificada”, afirmou o presidente da CNBB.

Mês da Bíblia

Durante a celebração, dom Walmor afirmou ser “uma grande emoção” viver a celebração de ação de graças pelo início do Mês da Bíblia e pelos 50 anos da inciativa nascida na arquidiocese de Belo Horizonte.

O arcebispo recordou que o Concílio Vaticano II retomou com constituição Dei Verbum um caminho importante da Igreja para colocar a Palavra de Deus em primeiro lugar. “A partir dessa experiência bonita do Concilio Vaticano II, constatando uma distância da Igreja da Palavra de Deus por séculos, este caminho fecundo tem se tornado um grande dom para a vida da Igreja e de todos nós”.

“Celebrar 50 anos do  Mês da Bíblia é trazer a beleza de um caminho percorrido com o trabalho  de tantos irmãos e irmãs, homens e mulheres dedicados a este trabalho. Por isso quero referir-me ao trabalho da Comissão para a Animação Bíblico-Catequética, presidida por dom Antônio Peruzzo, que com seus vários colaboradores que difundem a Palavra de Deus e dão à catequese a sua alma a partir da Palavra Santa de nosso Deus”.

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Confira a homilia na íntegra:

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Papa na catequese desta quarta-feira:

"A santidade vem
do Espírito Santo, é a gratuidade da redenção de Jesus"

A catequese de hoje deu início à segunda parte da Carta de São Paulo aos Gálatas na qual o Apóstolo dos Gentios interpela diretamente os Gálatas, colocando-os diante das escolhas que fizeram e da sua condição atual, que poderia anular a experiência de graça que viveram.

"Gálatas insensatos" foi o tema da catequese do Papa Francisco na Audiência Geral desta quarta-feira (1°/09), realizada na Sala Paulo VI, no Vaticano.

A catequese de hoje deu início à segunda parte da Carta de São Paulo aos Gálatas na qual o Apóstolo dos Gentios interpela diretamente os Gálatas, colocando-os "diante das escolhas que fizeram e da sua condição atual, que poderia anular a experiência de graça que viveram".

Os termos com os quais o Apóstolo se dirige aos Gálatas certamente não são gentis. Nas outras Cartas é fácil encontrar a expressão “irmãos” ou “caríssimos”, aqui não. Diz genericamente “Gálatas” e duas vezes lhes chama “insensatos”. Não o faz porque não são inteligentes, mas porque, quase sem perceber, correm o risco de perder a fé em Cristo que aceitaram com tanto entusiasmo. São insensatos por não perceberem que o perigo é o de perder o precioso tesouro, a beleza da novidade de Cristo.  A maravilha e a tristeza do Apóstolo são evidentes. Não sem amargura, ele provoca esses cristãos a lembrarem-se do primeiro anúncio feito por ele, através do qual lhes ofereceu a possibilidade de adquirirem uma liberdade até então inesperada.

Ação do Espírito Santo nas comunidades

Segundo o Papa, o Apóstolo "faz perguntas aos Gálatas a fim de despertar as suas consciências. Trata-se de questões retóricas, pois os Gálatas sabem muito bem que a sua chegada à fé em Cristo é fruto da graça recebida através da pregação do Evangelho. A palavra que ouviram de Paulo centrou-se no amor de Deus, plenamente manifestado na morte e ressurreição de Jesus. Os Gálatas devem olhar para este evento, sem se deixarem distrair por outros anúncios. A intenção de Paulo é colocar os cristãos em condições para que percebam o que está em jogo e não se deixem encantar pela voz das sereias que os querem conduzir a uma religiosidade baseada unicamente na observância escrupulosa dos preceitos".

Os Gálatas experimentaram também a ação do Espírito Santo nas comunidades. "Ao serem colocados à prova, tiveram de responder que quanto tinham vivido era fruto da novidade do Espírito. No início da sua chegada à fé, portanto, estava a iniciativa de Deus e não a dos homens. O Espírito Santo tinha sido o protagonista da sua experiência; colocá-lo agora em segundo plano a fim de dar primazia às próprias obras seria uma insensatez. A santidade vem do Espírito Santo e essa é a gratuidade da redenção de Jesus: isso nos justifica", disse ainda o Papa.

Deus continua concedendo os seus dons

São Paulo nos convida também a refletir sobre a forma como vivemos a fé. "Será que o amor de Cristo crucificado e ressuscitado permanece no centro da nossa vida quotidiana como fonte de salvação, ou será que nos contentamos com algumas formalidades religiosas para estar em paz com a nossa consciência? Estamos apegados ao tesouro precioso, à beleza da novidade de Cristo, ou preferimos algo que neste momento nos atrai, mas que depois nos deixa vazios por dentro?"

“O efêmero bate muitas vezes à porta dos nossos dias, mas é uma triste ilusão, que nos faz cair na superficialidade e nos impede de discernir aquilo pelo qual realmente vale a pena viver.”

O Papa nos convidou a manter a certeza de que, "mesmo quando somos tentados a nos afastar, Deus continua concedendo os seus dons".

Uma ascese sábia e não artificial

Sempre na história e também hoje, acontecem coisas semelhantes ao que aconteceu aos Gálatas. Também hoje, ouvimos alguém que diz: "Não, a santidade está nesses preceitos, nessas coisas, vocês têm que fazer isso ou aquilo, e isso nos leva a uma religiosidade rígida, de rigidez que nos tira aquela liberdade no Espírito que a redenção de Cristo nos dá. Cuidado com a rigidez que lhe é proposta. Por trás de toda rigidez existe algo ruim, não há o Espírito de Deus. Esta carta nos ajudará a não dar ouvidos a essas propostas um pouco fundamentalistas que nos fazem regressar em nossa vida espiritual, e nos ajudará a ir adiante na vocação pascal de Jesus.

Francisco concluiu sua catequese, dizendo que, apesar de todas as dificuldades que possamos colocar à sua ação do Espírito, "não obstante os nossos pecados, Deus não nos abandona, mas permanece conosco com o seu amor misericordioso. Deus está sempre perto de nós com a sua bondade. Peçamos a sabedoria de percebermos sempre essa realidade e mandar embora os fundamentalistas que nos propõem um caminho de ascese artificial, distante da ressurreição de Cristo. A ascese é necessária, mas uma ascese sábia e não artificial".

                                                                                                    Mariangela Jaguraba

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Assista:

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                                                                                                                        Fonte: vaticannews.va

Papa Francisco após cirurgia:

"Nunca passou pela minha cabeça renunciar"

Francisco foi entrevistado por Carlos Herrera da Rádio COPE. Pela primeira vez ele fala sobre a cirurgia em julho e também aborda temas como o Afeganistão, China, eutanásia, reforma da Cúria.

Papa Francisco entrevistado por Carlos Herrera da Rádio espanhola Cope (COPE)

Da operação no cólon a que foi submetido no último dia 4 de julho na Policlínica Gemelli  - e suas atuais condições de saúde -, à crise no Afeganistão e à preocupação com a população. Depois o diálogo com a China, o ponto de vista sobre a eutanásia e o aborto, ambos símbolos daquela "cultura do descarte" que sempre foi denunciada, o julgamento no Vaticano e, por fim, os desafios do seu pontificado como a reforma do A Cúria e a luta contra a corrupção e a pedofilia. Pontificado que, tendo chegado quase ao nono ano, ao contrário de boatos que circulam na mídia italiana e argentina, não será interrompido antes do previsto: "Nunca me passou pela cabeça renunciar".

A entrevista que o Papa Francisco concedeu no último final de semana à Rádio Cope, emissora da Conferência Episcopal Espanhola, dura uma hora e meia. Esta é a primeira entrevista após a cirirgia de estenose diverticular e também a primeira para uma rádio na Espanha.

A saúde após a operação no Gemelli

Em entrevista ao jornalista Carlos Herrera, sob o olhar da imagem tão cara ao Pontífice de Nossa Senhora Desatadora dos Nós, colocada no hall da Casa Santa Marta, o Papa fala de temas da atualidade e não se esquiva das perguntas mais pessoais. A começar pela pergunta mais simples mas, neste momento de recuperação pós-operatória, a mais importante: “Como o senhor está?”.

“Ainda estou vivo”, responde Francisco com um sorriso. E conta que a sua vida foi salva por um enfermeiro do serviço de saúde da Santa Sé,  “um homem com mais de 30 anos de experiência”, que insistiu na cirurgia: “Ele salvou a minha vida! Disse-me: 'Deve fazer uma operação'”. E isso, apesar do parecer contrário de alguns que sugeriram um tratamento "com antibióticos". A insistência do enfermeiro, em vez disso, mostrou-se providencial, visto que a cirurgia revelou um quadro necrótico: agora, após a operação, revela Francisco, "tenho 33 centímetros a menos de intestino". Fato, entretanto, que não o impede de levar uma vida "totalmente normal". “Posso comer de tudo” e, tomando os “remédios adequados”, manter a agenda lotada: “Hoje,  audiência toda a manhã, toda a manhã”. Agenda que inclui também a viagem à Eslováquia e à Hungria de 12 a 15 de setembro próximo, a 34ª de seu pontificado.

"Renúncia? Nunca pensei nisso"

Ainda falando da própria saúde, o Papa desmente categoricamente as especulações de alguns jornais italianos e argentinos sobre uma possível renúncia ao pontificado. Questionado a este respeito, Francisco afirma: "Nunca me passou pela cabeça ... Não sei de onde tiraram a ideia de que eu renunciaria!". Com um toque de ironia, o Papa também explica que veio a saber de tais notícias muito depois: "Disseram-me também que na semana passada estava na moda. Eva (Fernández, correspondente da Cope para a Itália e o Vaticano, ndr ) disse-me ... e eu disse a ela que não fazia ideia, porque aqui só leio um jornal de manhã, o jornal de Roma. Eu o leio porque gosto da forma como é apresentado um título, o leio rapidamente e pronto, não me deixo envolver no jogo. Eu não assisto televisão. E recebo, sim, mais ou menos, um relato das notícias do dia, mas descobri muito mais tarde, alguns dias depois, que havia algo sobre minha renúncia. Sempre que um Papa está doente, há sempre uma brisa ou um furacão de Conclave”.

Papa Francisco com jornalistas da Radio Cope, Carlos Herrera e Eva Fernández












A crise no Afeganistão

Amplo espaço na entrevista é dedicado à crise no Afeganistão, ferido pelos recentes ataques kamikaze e pela sangria de cidadãos após a tomada do poder pelo Talibã. “Uma situação difícil”, observa o Papa Francisco, que não entra em detalhes sobre os esforços que a Santa Sé vem realizando no plano diplomático para evitar represálias contra a população, mas elogia o trabalho da Secretaria de Estado. “Estou certo que está ajudando ou pelo menos oferecendo ajuda”, afirma, definindo o cardeal secretário de Estado, Pietro Parolin, como “o melhor diplomata que já conheci”: “Um diplomata que acrescenta, não um daqueles que subtrai, quem está sempre procurando, um homem de acordo”.

O Papa cita a seguir a chanceler alemã Angela Merkel, "uma das grandes figuras da política mundial", em seu pronunciamento de 20 de agosto em Moscou: "É necessário colocar um fim na política irresponsável de intervir do exterior e construir a democracia em outros países, ignorando as tradições do povo”. “Incisivo… mas percebi um senso de sabedoria diante das palavras dessa mulher”, afirma Francisco. E, quando questionado a este respeito, define a retirada dos Estados Unidos do Afeganistão como "lícita", após vinte anos de ocupação, mesmo se "o eco que existe em mim seja outra coisa", nomeadamente o fato de "deixar o povo afegão ao seu destino”. Para o Papa, de fato, o problema a ser resolvido é outro: "Como desistir, como negociar uma saída". “Pelo que vejo - diz ele na entrevista - nem todas as eventualidades foram levadas em consideração aqui, ao que parece, não quero julgar, nem todas as eventualidades. Não sei se haverá uma revisão ou não, mas certamente houve muito engano talvez por parte das novas autoridades. Eu falo em engano ou muita ingenuidade, não entendo”.

Diálogo com a China: este é o caminho a seguir

Do Afeganistão, o olhar permanece na Ásia, mas se desloca para a China e ao acordo sobre nomeação dos bispos renovado por mais dois anos. “Há quem insista que o senhor não se renove o acordo que o Vaticano assinou com aquele país, porque põe em perigo a sua autoridade moral”, observa o jornalista. “A China não é fácil, mas estou convencido de que não devemos renunciar ao diálogo”, responde o Papa. “Pode-se enganar no diálogo, pode-se cometer erros, tudo isso ... mas é o caminho a seguir. Mas é o caminho a seguir. O que foi alcançado até agora na China foi pelo menos o diálogo ... algumas coisas concretas como a nomeação de novos bispos, lentamente ... Mas esses são passos que podem ser discutidos ​​e os resultados de uma parte ou de outra.

A inspiração do Cardeal Casaroli

Para o Papa, o ponto de referência e inspiração é o cardeal Agostino Casaroli, por muito tempo secretário de Estado durante o pontificado de João Paulo II, já com João XXIII "o homem encarregado de construir pontes com a Europa Central". O Pontífice cita "um belíssimo livro", O martírio da paciência, no qual o purpurado narra suas experiências nos países comunistas: "Foi um pequeno passo atrás do outro, para construir pontes ... Lentamente, lentamente, lentamente, foi conseguindo reservas de relações diplomáticas que no final significava nomear novos bispos e cuidar do povo fiel de Deus. Hoje, de alguma forma, devemos seguir passo a passo os caminhos do diálogo nas situações mais conflituosas”. A experiência com o Islã, com o Grande Imame Al-Tayyeb, foi muito positiva em muitos aspectos: “O diálogo, sempre o diálogo ou disponibilidade ao diálogo”.

Os desafios do pontificado

E o diálogo é uma das pedras angulares desses oito anos de pontificado que o Papa Francisco recorda na entrevista. A começar pela eleição de 13 de março de 2013, totalmente inesperada ("vim aqui com uma valise"), passando pelos vários desafios sempre enfrentados com o objetivo de concretizar o que foi acordado pelos cardeais nas reuniões pré-Conclave, tudo resumido na Evangelii Gaudium: “Penso que ainda existam diversas coisas a serem feitas, mas nada foi inventado por mim. Estou obedecendo ao que foi estabelecido no tempo devido”.

"Pequenos ajustes" na Cúria Romana

A reforma da Cúria Romana, novos avanços na transparência das finanças vaticanas e a prevenção de casos de abusos dentro da Igreja são as três questões nas quais Jorge Mario Bergoglio está trabalhando intensamente. Sobre a reforma da Cúria, o Papa assegura que "está andando passo a passo e bem" e revela que neste verão ele estava prestes a terminar de ler e assinar a nova constituição apostólica "Praedicar Evangelium", cuja publicação foi, no entanto, atrasada "por causa da minha doença". O documento, por sua vez, explica o Pontífice, "não conterá nada de novo em relação ao que vemos agora", apenas algumas fusões de Dicastérios, como a Educação Católica com o Pontifício Conselho para a Cultura e o Dicastério da Nova Evangelização que se unirá à Propaganda Fide. "Pequenos ajustes", explica o Papa.

O julgamento no Vaticano

A luta contra a corrupção nas finanças vaticanas continua a ser uma luta importante. "Foram feitos progressos na consolidação da justiça no Estado do Vaticano", diz o Pontífice, e isto permitiu "que a justiça fosse mais independente, com meios técnicos, também com testemunhos registrados, coisas técnicas atuais, a nomeação de novos juízes, novos promotores...". A referência é também para o maxi julgamento que começou em 27 de julho passado no Vaticano pelos atos ilícitos realizados com os fundos da Secretaria de Estado, que vê entre os dez réus o ex-substituto da Secretaria de Estado, o cardeal Angelo Becciu. Francisco, lembrando que todo o caso começou com as queixas de duas pessoas que trabalhavam no Vaticano e que viram irregularidades em seu trabalho, reiterou que ele não tem "medo da transparência ou da verdade". Às vezes dói muito, mas a verdade é o que nos liberta". Quanto a Becciu, cujas prerrogativas e direitos como cardeal ele revogou, explica que o cardeal havia sido julgado porque a lei do Vaticano assim o prevê: "Quero que ele seja inocente de todo o meu coração. Ele foi um colaborador meu e me ajudou muito. Ele é alguém por quem eu tenho uma certa estima como pessoa, então meu desejo é que ele se saia bem. Mas é uma forma afetiva da presunção de inocência... Além da presunção de inocência, eu quero que ele se saia bem. Agora cabe aos tribunais decidirem”.

Luta contra a pedofilia, apelo aos governos contra a pornografia infantil

O Papa também fala de justiça no que diz respeito ao flagelo da pedofilia. Quando perguntado sobre isto, ele primeiro elogia o cardeal Sean O'Malley, presidente da Comissão para a Proteção de Menores, por sua "coragem" e por todo o trabalho feito contra este crime desde quando era arcebispo de Boston, depois lança um forte apelo internacional aos governos para agirem e reagirem contra a pornografia infantil, "um problema global e grave". "Às vezes me pergunto como alguns governos permitem a produção de pornografia infantil. Que não digam que não sabem. Hoje, com os serviços secretos, sabemos tudo. Um governo sabe que em seu país se produz pornografia pedófila. Para mim, esta é uma das coisas mais monstruosas que eu já vi”.

Eutanásia, sinal da "cultura do descartável

Com igual vigor, o Papa também aborda a questão da eutanásia, à luz das recentes leis aprovadas na Espanha. A legalização desta prática é um sinal da "cultura do descartável" que agora permeia as sociedades modernas: "O que é inútil é descartado". Os idosos são descartáveis: eles são um incômodo. Também os doentes terminais; até mesmo as crianças indesejadas, e elas são enviadas ao remetente antes de nascerem", afirma. É aquela "cultura do descarte", denunciada desde o início do pontificado, que tem um grande impacto sobre o "inverno demográfico" do Ocidente e que afeta particularmente países como a Itália, onde a idade média é de 47 anos. "A pirâmide se inverteu... A cultura demográfica está com prejuízo porque olha para o lucro. Olha para o da frente... e às vezes usando a compaixão! O que a Igreja pede é que se ajudem as pessoas a morrerem com dignidade. Ela sempre o fez", comenta Francisco. Ele não deixa de estigmatizar o aborto mais uma vez: "Diante de uma vida humana, eu me faço duas perguntas: é lícito eliminar uma vida humana para resolver um problema? É correto contratar um assassino para resolver um problema?".

A esperança de estar em Glasgow para Cop26

O Papa também fala de abusos com relação à criação, uma de suas mais profundas preocupações, amadurecida nestes anos de pontificado. Francisco espera estar presente na Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP26) que será realizada de 1º a 12 de novembro em Glasgow: "Em linha de princípio, o programa é que eu vá. Tudo depende de como eu me sinta naquele momento. Mas, na verdade, meu discurso já está sendo preparado, e o programa é de estar presente lá".

O motu proprio “Tratitionis Custodes”

O foco da entrevista muda então para o motu proprio Traditionis Custodes, que regula as missas em latim e que neste verão despertou algumas controvérsias nos setores eclesiásticos mais conservadores. O Papa responde a uma pergunta sobre o assunto elencando a cronologia que levou à assinatura do documento: "A história de Traditionis Custodes é longa. Quando Bento XVI tornou possível celebrar com o missal de João XXIII (anterior ao de Paulo VI, que é pós-conciliar) para aqueles que não se sentiam à vontade com a liturgia atual, que tinham uma certa nostalgia... pareceu-me uma das mais belas e humanas ações pastorais de Bento XVI, que é um homem de uma extraordinária humanidade. E assim começou. Esta foi a razão". “A preocupação" - reitera o Papa, como no texto que acompanha o motu próprio -, “que mais aparecia era que algo feito para ajudar pastoralmente aqueles que tinham vivido uma experiência anterior, se transformasse em uma ideologia. Em outras palavras, uma coisa pastoral transformada em uma ideologia. Por isso tivemos que reagir com regras claras... Se você ler bem a carta e o decreto, você verá que esta é simplesmente uma reorganização construtiva, com cuidado pastoral e evitando excessos".

Recomendações ao Dicastério para a Comunicação

Na entrevista com a Cope, também é mencionada a visita de 24 de maio último ao Dicastério para a Comunicação do Vaticano e as palavras de encorajamento, mas também de chamada de atenção dirigidas aos funcionários da mídia do Vaticano. "Foi uma reprimenda", pergunta o jornalista. "A reação me divertiu", explica o Papa, "eu disse duas coisas". Primeiro, uma pergunta: quantas pessoas leem o L'Osservatore Romano? Eu não disse se é lido muito ou pouco. Uma pergunta. Eu acho legítimo perguntar isso, não? E a segunda pergunta, que era mais temática, (eu a fiz) quando, depois de ver todo o novo trabalho de união, o novo organograma, a funcionalização, falei da doença dos organogramas, que dá a uma realidade um valor mais funcional do que real. E digo: com toda essa funcionalidade, que é funcionar bem, não devemos cair no funcionalismo. O funcionalismo é o culto dos organogramas sem levar em conta a realidade. Parece que alguém não entendeu estas duas coisas que eu disse, ou talvez alguém não tenha gostado, ou não sei o quê, e interpretou isso como uma reprovação. É uma coisa normal, é uma pergunta e um aviso. Sim... Talvez algumas pessoas tenham ouvido dizer algo, e .... Acho que o Dicastério é muito promissor, é o Dicastério com o maior orçamento da Cúria no momento, é liderado por um leigo - espero que em breve haja outros liderados por um leigo ou uma leiga - e que está decolando com novas reformas. L'Osservatore Romano, que eu chamo de 'o jornal do partido', fez grandes progressos e o esforço cultural que está fazendo é maravilhoso".

A família, o futebol, as lágrimas

Ao final da entrevista, outras questões eclesiais são abordadas, como, por exemplo, o caminho sinodal na Alemanha, para o qual o Papa recorda sua carta de junho de 2019, bem como questões internacionais como a independência da Catalunha e as políticas migratórias, para as quais o Pontífice argentino reitera a fórmula dos quatro verbos: "Acolher, proteger, promover, integrar". O Papa não se esquiva de perguntas mais pessoais sobre temas como sua relação com sua família, em particular com sua avó Rosa, seu apoio ao time de futebol San Lorenzo, seu sentimento de ser "um pecador que tenta fazer o bem". O Papa Francisco revela que não é um homem de lágrimas fáceis, embora seja verdade que algumas situações lhe causam tristeza, e confessa que o que ele mais sente falta dos tempos de Buenos Aires é "andar de uma paróquia a outra" ou os densos dias nebulosos do outono argentino enquanto escuta a música do compositor argentino Astor Piazzolla. "Eu gostaria de andar pela rua, mas tenho que me conter, porque não poderia andar dez metros".

                                                                                                                     Salvatore Cernuzio

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                                                                                                                        Fonte: vaticannews.va