o amor de
Deus é poderoso, vamos dizer "sim" à vida!
Sob garoa,
diante de milhares de fiéis na Praça São Pedro, Francisco afirmou que o Ano
jubilar nos pede para sermos mensageiros de esperança com simples, mas
concretos “sins” à vida. "Façamo-lo todos: este é o caminho da
salvação!"
O primeiro
capítulo de João (cfr Jo 1,1-18) inspirou a alocução do Papa
Francisco no Angelus do primeiro domingo de 2025. Ao falar de Jesus, o
Evangelho diz que "a luz resplandece nas trevas, e as trevas não a
compreenderam". Isto é, recorda quanto é poderoso o amor de Deus, que não
se deixa vencer por nada e que, para além de obstáculos e rejeições, continua a
resplandecer e a iluminar o nosso caminho.
É o que vemos no
Natal, quando o Filho de Deus, feito homem, supera muros e divisões. Enfrenta o
fechamento da mente e do coração dos “grandes” do seu tempo, preocupados mais
em defender o poder do que em buscar o Senhor. Compartilha a vida humilde de Maria
e José, que o acolhem e crescem com amor, mas com as dificuldades de quem não
tem meios.
Diante destes e
de tantos outros desafios, disse o Pontífice, Deus jamais desiste: encontra mil
maneiras para chegar a todos e a cada um de nós onde quer que estejamos, sem
cálculos nem condições, abrindo, mesmo nas janelas mais obscuras da humanidade,
janelas de luz.
"É uma
realidade que nos consola e que nos dá coragem, especialmente num tempo como o
nosso, onde há tanta necessidade de luz, de esperança e de paz, onde os homens
às vezes criam situações tão complicadas, que parece impossível sair delas.
Hoje, a Palavra de Deus nos diz que não é assim: ou melhor, nos chama a imitar
o Deus do amor, abrindo feixes de luz onde quer que possamos, com todos que
encontramos, em todos os contextos: familiar, social,
internacional."
Não tenhamos
medo!
O convite de
Deus, prosseguiu o Papa, é para não ter medo de fazer o primeiro passo,
escancarando janelas luminosas de proximidade a quem sofre, de perdão, de
compaixão e de reconciliação, para tornar o caminho mais claro, seguro e
possível para todos.
"E este
convite ressoa de modo especial no Ano jubilar há pouco iniciado,
solicitando-nos a ser mensageiros de esperança com simples, mas concretos
“sins” à vida, com escolhas que trazem vida. Façamo-lo todos: este é o caminho
da salvação!"
Aos fiéis
presentes na Praça São Pedro, o Pontífice dirigiu alguns questionamentos: de
que modo posso abrir uma janela de luz no meu ambiente e nas minhas relações?
Onde posso ser um feixe que deixa passar o amor de Deus?
"Que Maria,
estrela que guia a Jesus, nos ajude a ser para todos testemunhas luminosas do
amor do Pai."
Hoje, os Magos que o procuravam resplandecente nas estrelas, o encontram no berço. Hoje, os Magos veem claramente, envolvido em panos, aquele que há muito tempo procuravam de modo obscuro nos astros (São Pedro Crisólogo).
♦ Domingo da Epifania, domingo dos Magos. Desde nossa infância esses personagens misteriosos foram pedindo licença para ocupar lugar importante de nossa atenção. Havia o presépio das coisas singelas e simples e, de repente, alguém tirava de uma caixa de papelão esses senhores com pompa e coroas, montados em camelos e dando uma tonalidade um tanto grandiosa ao presépio do frágil menino. Ficamos sabendo que eram três. Chegou-se mesmo a dar-lhes nomes: Melchior, Gaspar e Baltasar. Mateus é o único evangelista a mencionar esses personagens que povoaram de cores e luzes nossa imaginação de crianças. O evangelista simplesmente diz que eram Magos e nada mais. Depois, bem depois, místicos e espirituais, nos disseram que eram buscadores de Deus, peregrinos da casa de Deus. Que significado tem esse episódio para nós?
♦ “É nossa própria história, história de nossa peregrinação sem fim, quem deciframos através dos doze versículos do evangelho de Mateus que nos falam desse magos vindos da longínqua Babilônia, guiados pela estrela, obstinados vencedores da imensidão dos desertos como da indiferença e da política na terra em que nasceu o Menino, chegando finalmente a encontrar a Criança e adorar o Deus salvador. É nossa história que lemos ou, dizendo melhor, que devíamos ler neste relato. Não somos todos peregrinos e viajantes, pessoas sem domicilio fixo mesmo quando nunca deixamos nossa casa? Vejam como o tempo passa, como os dias terminam, como a mudança é lei eterna de nossa existência, como estamos sempre indo para frente. Se sinceros somos podemos nos descrever como peregrinos…
♦ O profeta Isaías, na primeira leitura desta solenidade tem palavras de ânimo e de alento. “Levanta-te, acende as luzes Jerusalém, porque chegou a tua luz, apareceu sobre ti a glória do Senhor. Eis que está a terra envolvida em trevas, e nuvens escuras cobrem os povos; mas sobre ti apareceu o Senhor e a sua glória já se manifesta sobre ti. Os povos caminham à tua luz e os reis, ao clarão de tua aurora” (Is 60, 1-3). Luz, claridade, estrela… Os passos desses buscadores da casa de Deus serão guiados pela estrela.
♦ O Menino deitado nas palhas, no despojamento total, é a verdadeira luz que ilumina a todo homem que vem a este mundo. Veio para todo o orbe. Vemos, com a chegada dos Magos, a procissão dos estrangeiros e dos diferentes que buscam a Deus guiados pela estrela. Os Magos representam homens e mulheres que carregam questionamentos e interrogações, que se sentem mal com uma vida vivida pela metade, que querem um sentido de vida pujante, que têm sede de plenitude. Fazem parte do grupo daqueles que Agostinho designa de gente de coração inquieto.
♦ “Hoje os contemplam maravilhados, no presépio, o céu na terra, a terra no céu, o homem em Deus, Deus no homem e, incluído no corpo pequenino de uma criança, aquele que o universo não pode conter. Vendo-o, proclamam sua fé e não discutem, oferecendo-lhe místicos presentes, incenso a Deus, ouro ao rei e mirra ao que haveria de morrer” (São Pedro Crisólogo).
♦ Deus em nosso meio, Deus com rosto de homem, irmão. Mistura do divino e do humano. Deus próximo, Deus Emanuel, Deus dos caminhos do Oriente e Jesus ressuscitado que vive nos chamando para segui-lo. Ele luz que veio a esse mundo para abrir os olhos aos cegos. Claridade da fé.
Os buscadores de Deus:
♥ Muitos nascemos em famílias católicas e fomos sendo envolvidos em ritos e símbolos. Passamos a viver no regime da religião. Muitos desses que foram batizados em criança tiveram ocasião de crescer no conhecimento do Senhor e sempre conservaram saudade da luz. Pode acontecer, no entanto, que muitas pessoas tenham se acostumado com a fé. Há o perigo da rotina, da separação de fé e vida, da privatização da fé. Tais pessoas perderam o gás, não têm o fogo de que fala o Evangelho. Deus não pode ser um mero acessório em nossa vida, ao lado de tudo o que chamamos de vida, de nossa vida.
♥Há aqueles que tiveram uma catequese falha, que depois de um tempo de prática deixaram tudo. Formulam perguntas. Acham Deus mudo demais, indiferente a tudo, ao mundo, ao amanhã. Para estes talvez Deus tenha morrido.
♥ Há aqueles que interpelados pelo maravilhoso ou pelo trágico da vida sentem o brilhar de uma estrela, o mero cintilar de uma estrela: um filho que nasce, um fracasso conjugal, a união numa família toda complicada, uma visita na vida de pessoa que era como que um anjo do céu. E tudo mudo.
♥ Há os que encontram ou reencontram a fé frequentando as páginas dos Evangelhos e tentando descobrir o Deus de Jesus Cristo em suas posturas, no comportamento de gente que viveu perto de Jesus, na audácia de Paulo. São pessoas que aos poucos vão dando suas mãos a Zaqueu, ao filho pródigo, à viúva que deposita no cofre do templo tudo o que tem.
♥ Há os que descobrem a Deus na dedicação aos outros. Sua féé marcada pelo encontro do Senhor nos seres humanos mais abandonados.
♥ Muitos conseguem alimentar sua fé frequentando grupos de pessoas límpidas que perscrutam suas vidas, iluminam suas historias com o evangelho. Pessoas que carregam uma pergunta: “Senhor, onde é a tua casa?”
Quem são esses Magos?
São esses diferentes, esses outros que chegam nesse tempo plural.
São caminhantes rumo a uma Jerusalém bem assentada.
São nômades que chegam a um mundo instalado.
São espreitadores de uma sociedade adormecida.
Constituem a alegria para um mundo triste.
Chegam a Jerusalém com uma pergunta nos lábios:
“Onde está o rei do judeus que acaba de nascer?”
Não precisamos de carregadores de perguntas nós que somos daqueles que conhecem todas as respostas?
FREI ALMIR GUIMARÃES, OFM, ingressou na Ordem Franciscana em 1958. Estudou catequese e pastoral no Institut Catholique de Paris, a partir de 1966, período em que fez licenciatura em Teologia. Em 1974, voltou a Paris para se doutorar em Teologia. Tem diversas obras sobre espiritualidade, sobretudo na área da Pastoral familiar. É o editor da Revista “Grande Sinal”.
“Peregrinos da
Esperança” é o tema do Ano Jubilar de 2025 escolhido pelo Papa Francisco. Na
bula de proclamação do ano Santo com o título “Spes non confundit”, ou seja, “a
esperança não engana” (Rm 5,5), o Papa afirma que “todos esperam. No coração de
cada pessoa, encerra-se a esperança como desejo e expectativa do bem, apesar de
não saber o que trará consigo o amanhã. Porém, esta imprevisibilidade do futuro
faz surgir sentimentos por vezes contrapostos: desde a confiança ao medo, da
serenidade ao desânimo, da certeza à dúvida. Muitas vezes encontramos pessoas
desanimadas que olham com ceticismo e pessimismo para o futuro como se nada
lhes pudesse proporcionar felicidade. Que o Jubileu seja, para todos, ocasião
de reanimar a esperança!” (N. 1).
O ano jubilar é
um tempo especial de esforço de conversão para a renovação da fé, do Amor, do
perdão, da misericórdia, da fraternidade, libertação, da promoção da
restauração da justiça interpessoal e social (cf. Lv 25,13-17). O tema do ano
jubilar 2025 nos convida a aprofundar o que significa a nossa Esperança, qual é
o seu conteúdo, o seu dinamismo e para onde ela nos leva. Por que somos
peregrinos da Esperança?
Peregrino é um
fiel que caminha rumo a um santuário; peregrinar é caminhar para um lugar
sagrado, passando pelos campos (realidades naturais e construídas por mãos
humanas). Etimologicamente, a palavra peregrino significa “passar por campos”.
Assim os fiéis do Antigo Testamento peregrinavam à Jerusalém todos os anos para
a festa da Páscoa. Os santuários são lugares de peregrinação. Esse movimento
religioso continua ainda hoje e vai até o fim dos tempos.
A mobilização de
fiéis das religiões rumo à santuários é comparado ao dinamismo da nossa
existência rumo à vida eterna; nossa vida é uma peregrinação rumo ao Paraíso,
nossa meta definitiva! Somos “peregrinos da esperança” na Vida Eterna! Somos
peregrinos porque o céu é a nossa pátria definitiva. O céu é o Santuário para o
qual todos nós estamos caminhando; é isso que nos diz a bíblia. Estamos a
caminho da nossa pátria definitiva. Disse Jesus: “Que o vosso coração não se
perturbe, pois na casa do meu Pai há muitas moradas” (Jo 14,1-2); “sabemos que,
se a nossa habitação terrestre, esta tenda em que vivemos for dissolvida,
possuímos uma casa que é obra de Deus, uma eterna morada nos céus, que não é
feita pela mão humana” (2Cor 5,1).
Neste mundo
somos estrangeiros; estamos em busca da nossa meta projetada por Deus (cf. 1Pd
1,17; Hb 13,14). Essa é nossa vocação e ao mesmo tempo nosso sonho: o paraíso.
A esperança exerce um papel fundamental em nossa vida; ela nos motiva,
estimula, empurra, mobiliza, conforta, dá segurança: “a esperança não causa
decepção porque o Amor de Deus foi derramado em nossos corações” (Rm 5,5). Deus
nunca nos engana. Ele é a fonte da nossa Esperança! (Sl 33,20-22).
A esperança nos
dá conforto: “os sofrimentos do tempo presente não se comparam com a glória
futura que deverá ser revelada em nós” (Rm 8,18); “não haverá mais morte; não
haverá mais choro, nem grito, nem dor… Tudo passou e passamos para uma nova
vida” (cf. Apocalipse 21,4). A esperança nos educa a olhar para o futuro, para
frente, não parar, nunca desanimar do bem, não desistir! A esperança nos livra
do desespero porque nos fala de superação, prêmio, glória, vitória, recompensa
e nos estimula à perseverança!
A esperança nos
diz que vale a pena lutar, vale a pena superar momentos difíceis, que neste
mundo tudo é passageiro! A Esperança nos educa à paciência! Quem tem esperança
vive com mais serenidade, otimismo, alegria, senso empreendedor porque está
sempre motivado para fazer o bem!
Dom Antonio de Assis Ribeiro, SDB - Bispo eleito da diocese de Macapá (AP)
Fui tomar sol esta manhã e, enquanto eu ganhava mais um presente da vida com os raios de sol de me aqueciam, escutei o barulho de um galho seco que caiu da arvore contígua. Fui buscá-lo!
E, como sou de meditar sobre tudo o que vejo, refleti no primeiro dia de 2020 sobre aquele galho seco. E repito aquela meditação agora em 2025.
Não morreu de repente. Não foi tempestade, não foi vento forte. Foi o peso da idade e a falta de seiva para aquela porção de árvore.
Assim, pensei nos meus colegas de 79, 83, 88 e 90 anos que, para ganhar um pouco mais de qualidade de vida, vêm morar em nossa casa-clínica. Não precisam pregar sobre seu fim. Também estou idoso e sei que o corpo começa a murchar e já não irriga tudo num corpo que envelhece.
***
Olhei aquele galho, de não sei quantos anos, que caiu quase silenciosamente perto de mim; fotografei e disse a mim mesmo:
“Feliz Ano Novo para mim” “Estou tendo a chance de mais um ano de vida. O resto é com meu Criador”.
***
Cinco anos depois repito: “Nós que envelhecemos gradativamente sabemos o que é um galho seco que a seiva já não atinge. “E daí? Tivemos mais tempo do que a maioria dos humanos que raramente passam dos 75 anos. O resto é com a graça de Deus, com as medicinas e fármacos, com a alimentação correta, com o zelo dos cuidadores e com nossa capacidade de conviver, pensar, sorrir e tentar viver como Jesus viveu.
Até porque Jesus morreu no vigor dos seus trinta e poucos anos. Tinha sangue e seiva por mais de 60 ou 70 anos. Mas mostrou o que é viver para os outros.
***
Para vocês que meditam e começaram o ano orando e pensando: Feliz mudança de folhinha!…
Levanta-te, acende as luzes, Jerusalém, porque chegou a tua luz, apareceu sobre ti a glória do Senhor.
Eis que está a terra envolvida em trevas, e nuvens escuras cobrem os povos; mas sobre ti apareceu o Senhor, e sua glória já se manifesta sobre ti. Os povos caminham à tua luz e os reis ao clarão de tua aurora.
Levanta os olhos ao redor e vê: todos se reuniram e vieram a ti; teus filhos vêm chegando de longe com tuas filhas, carregadas nos braços. Ao vê-los, ficarás radiante, com o coração vibrando e batendo forte, pois com eles virão as riquezas de além-mar e mostrarão o poderio de suas nações; será uma inundação de camelos e dromedários de Madiã e Efa a te cobrir; virão todos os de Sabá, trazendo ouro e incenso e proclamando a glória do Senhor.
— As nações de toda a terra hão de adorar-vos, ó Senhor!
— As nações de toda a terra hão de adorar-vos, ó Senhor!
— Dai ao Rei vossos poderes, Senhor Deus, vossa justiça ao descendente da realeza! Com justiça ele governe o vosso povo, com equidade ele julgue os vossos pobres.
— Nos seus dias a justiça florirá e grande paz, até que a lua perca o brilho! De mar a mar estenderá o seu domínio, e desde o rio até os confins de toda a terra!
— Os reis de Társis e das ilhas hão de vir e oferecer-lhe seus presentes e seus dons; e também os reis de Seba e de Sabá hão de trazer-lhe oferendas e tributos. Os reis de toda a terra hão de adorá-lo, e todas as nações hão de servi-lo.
— Libertará o indigente que suplica, e o pobre ao qual ninguém quer ajudar. Terá pena do indigente e do infeliz, e a vida dos humildes salvará.
Irmãos: Se ao menos soubésseis da graça que Deus me concedeu para realizar o seu plano a vosso respeito, e como, por revelação, tive conhecimento do mistério.
Este mistério, Deus não o fez conhecer aos homens das gerações passadas, mas acaba de o revelar agora, pelo Espírito, aos seus santos apóstolos e profetas: os pagãos são admitidos à mesma herança, são membros do mesmo corpo, são associados à mesma promessa em Jesus Cristo, por meio do Evangelho.
Tendo nascido Jesus na cidade de Belém, na Judéia, no tempo do rei Herodes, alguns magos do Oriente chegaram a Jerusalém, e perguntaram: «Onde está o recém-nascido rei dos judeus? Nós vimos a sua estrela no Oriente, e viemos para prestar-lhe homenagem.»
Ao saber disso, o rei Herodes ficou alarmado, assim como toda a cidade de Jerusalém. Herodes reuniu todos os chefes dos sacerdotes e os doutores da Lei, e lhes perguntou onde o Messias deveria nascer. Eles responderam: «Em Belém, na Judéia, porque assim está escrito por meio do profeta: ‘E você, Belém, terra de Judá, não é de modo algum a menor entre as principais cidades de Judá, porque de você sairá um Chefe, que vai apascentar Israel, meu povo.’ «Então Herodes chamou secretamente os magos, e investigou junto a eles sobre o tempo exato em que a estrela havia aparecido. Depois, mandou-os a Belém, dizendo: «Vão, e procurem obter informações exatas sobre o menino. E me avisem quando o encontrarem, para que também eu vá prestar-lhe homenagem.»
Depois que ouviram o rei, eles partiram. E a estrela, que tinham visto no Oriente, ia adiante deles, até que parou sobre o lugar onde estava o menino. Ao verem de novo a estrela, os magos ficaram radiantes de alegria.
Quando entraram na casa, viram o menino com Maria, sua mãe. Ajoelharam-se diante dele, e lhe prestaram homenagem. Depois, abriram seus cofres, e ofereceram presentes ao menino: ouro, incenso e mirra. Avisados em sonho para não voltarem a Herodes, partiram para a região deles, seguindo por outro caminho.»
Na Igreja oriental, 6 de janeiro é Natal. Na Igreja ocidental romana, é a Epifania, manifestação do Senhor. A Epifania, que acrescenta ao Natal? A manifestação de Cristo aos que vêm de longe. Deus avisou os magos do oriente a respeito do nascimento do Salvador. Os magos viviam em países longínquos, que o povo de Israel lembrava com certa amargura: a Babilônia, terra do exílio; a Arábia, terra inóspita … Representantes dessas terras tão alheias vão adorar o Messias na cidade de Davi, Belém – assim anunciam a 1ª leitura e o evangelho! A 2ª leitura aponta a unificação de Israel com os “gentios” (os pagãos do mundo grego, da Europa), no novo povo de Deus, que é a Igreja, corpo e presença atuante de Cristo no mundo de hoje. Todos participam da mesma herança: a salvação em Cristo Jesus.
O menino nascido em Belém atraiu os que viviam longe de Israel geograficamente. Mas a atração exercida por Jesus envolve também os social e religiosamente afastados, os pobres, os leprosos, os pecadores e pecadoras … Todos aqueles que de alguma maneira estão longe da religião estabelecida e acomodada recebem em Jesus um convite de Deus para se aproximarem dele.
Quem seriam esses “longínquos” hoje? Os muçulmanos do Iraque (a antiga Babilônia) e da Arábia? Por que não? Mas talvez a estrela brilhe de modo especial para os que, em nosso próprio ambiente católico, ficaram afastados do templo. O povinho que ficava no fundo da igreja, ou que não podia ir à igreja porque não tinha roupa decente … Graças a Deus estão surgindo capelas nos barracos das favelas, bem semelhantes ao lugar onde Jesus nasceu e onde a roupa não causa problema.
Há também os que se afastaram porque seu casamento despencou (muitas vezes se pode até questionar se ele foi realmente válido). Jesus se aproximou da samaritana, da pecadora, da adúltera … será que para estas pessoas não brilha alguma estrela em Belém?
E os que viraram as costas aos problemas do povo? Haverá um convite para esses, também?
Será que, numa Igreja renovada, o Menino Jesus poderá de novo brilhar para todos esses afastados, como sinal de salvação e libertação? Depende um pouco da atitude dos “fiéis”. Se ser fiel significa permanecermos com o nosso grêmio, com os nossos costumes de sempre, bem protegidos contra quem possa ter outra experiência de vida, outra visão do mundo, então a luz de Cristo não vai ser vista muito longe. Mas se ser fiel é entendido como a imitação da vida missionária de Jesus, que ia ao encontro daqueles que estavam longe, então vale lembrar os reis do oriente e celebrar a Epifania, a gloriosa manifestação do Filho de Deus.
PE. JOHAN KONINGS nasceu na Bélgica em 1941, onde se tornou Doutor em Teologia pela Universidade Católica de Lovaina, ligado ao Colégio para a América Latina (Fidei Donum). Veio ao Brasil, como sacerdote diocesano, em 1972. Em 1985 entrou na Companhia de Jesus (Jesuítas) e, desde 1986, atuou como professor de exegese bíblica na FAJE, Faculdade Jesuíta de Filosofia e Teologia, em Belo Horizonte. Faleceu no dia 21 de maio de 2022. Este comentário é do livro “Liturgia Dominical, Editora Vozes.
Na mensagem de vídeo da intenção de oração para o mês de janeiro, Francisco afirma que "todas as crianças e os jovens têm direito a ir à escola, não importa a sua situação migratória. A educação é uma esperança para todos". "Rezemos para que os migrantes, os refugiados e as pessoas afetadas pela guerra vejam sempre respeitado o seu direito à educação, necessária para construir um mundo mais humano", diz o Papa.
"Pelo direito à educação" é a intenção de oração do Papa Francisco para este mês de janeiro.
Na mensagem de vídeo, divulgada nesta quinta-feira (02/01), o Santo Padre diz que "hoje vivemos uma 'catástrofe educativa'”.
“E não é exagero. Por causa das guerras, das migrações e da pobreza, cerca de 250 milhões de crianças não têm instrução.”
Na verdade, as crianças e jovens que migram ou se deslocam devido às guerras interrompem o seu processo educativo devido à necessidade de abandonar a sua terra natal. Em muitos casos, as escolas em áreas de conflito ou os campos de refugiados têm um acesso muito limitado a materiais educativos, infraestruturas adequadas e docentes bem preparados.
Além disso, quando as crianças e os jovens se mudam para outros países ou regiões, a sua condição de migrantes pode impedi-los de ter acesso ao sistema de ensino e, consequentemente, a um futuro melhor.
“Todas as crianças e os jovens têm direito a ir à escola, não importa a sua situação migratória. A educação é uma esperança para todos: pode salvar os migrantes, os refugiados da discriminação, das redes de delinquência e da exploração... Tantos menores explorados. E ajudá-los a integrarem-se nas comunidades que os acolhem.”
A Igreja na linha de frente
Crianças e adolescentes que fogem dos conflitos ou da pobreza são os protagonistas das imagens que acompanham as palavras de Francisco. O Vídeo do Papa deste mês testemunha o compromisso da Igreja na linha de frente para lhes garantir a educação, mesmo nos contextos mais complicados.
Há centros educativos promovidos pela Fundação italiana AVSI sem fins lucrativos para crianças refugiadas – a maioria, da Síria – na Jordânia e no Líbano. Há escolas salesianas em Palabek, em Uganda, onde 60% dos migrantes provenientes do Sudão do Sul têm menos de 13 anos. Há o Instituto Madre Assunta, em Tijuana, na fronteira entre o México e os Estados Unidos, dirigido pela família scalabriniana, frequentado por menores provenientes de vários países da América Latina. Há o compromisso, em diversos continentes, do Serviço Jesuíta para Refugiados (JRS), presente também no Este do Chade, junto de gerações inteiras nascidas e criadas nos campos de refugiados. Há os voluntários da Associação Papa João XXIII, que acompanham nos estudos os menores chegados à Grécia e à Itália através das rotas migratórias. E não faltam os esforços das organizações internacionais, como o Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef), presente com projetos educativos em vários países de acolhimento. Por essa razão, nos últimos anos, muitas crianças que fugiram da guerra na Ucrânia puderam aprender idiomas nos países onde residem.
“A educação abre-nos as portas a um futuro melhor. E assim, os migrantes e refugiados podem contribuir para a sociedade, seja no seu novo país, seja no seu país de origem, se decidirem regressar. E não nos esqueçamos nunca de que quem acolhe um estrangeiro, acolhe Jesus. Rezemos para que os migrantes, os refugiados e as pessoas afetadas pela guerra vejam sempre respeitado o seu direito à educação, necessária para construir um mundo mais humano.”
o convite a proteger a vida, a cuidar das vidas feridas.
O termo
"nascido de uma mulher", contido na segunda leitura da Carta de São
Paulo aos Gálatas, guiou a homilia de Francisco na missa celebrada por ocasião
da Solenidade de Maria Santíssima e Dia Mundial da Paz.
Na Solenidade de
Maria Santíssima Mãe de Deus, dia em que a Igreja celebra o Dia Mundial da Paz,
o Papa presidiu à Santa Missa na Basílica de São Pedro.
No início de um
novo ano, disse Francisco, é bom erguer o olhar do nosso coração para Maria. Ao
se abrir a Porta Santa para iniciar o Jubileu, hoje recordamos que Maria é a
porta pela qual Cristo entrou neste mundo.
O apóstolo Paulo
resume este Mistério afirmando que «Deus enviou o seu Filho, nascido de uma
mulher». E a estas palavras – “nascido de uma mulher” – o Pontífice dedicou sua
homilia.
O Verbo se fez
carne e se revelou na fragilidade
Antes de mais,
esta expressão nos remete ao Natal: o Verbo se fez carne.
“Hoje em dia, há
uma tentação que fascina muitas pessoas e pode enganar também muitos cristãos:
imaginar ou fabricar para nós um Deus 'abstrato', ligado a uma vaga ideia
religiosa, a uma fugaz agradável emoção. Ao invés, Ele nasceu de uma mulher,
tem um rosto e um nome, e chama-nos a manter uma relação com Ele. É um de nós:
por isso, pode nos salvar."
A
expressão “nascido de uma mulher” fala também da humanidade de
Cristo, para nos dizer que Ele se revela na fragilidade da carne. E
em toda a sua vida, Jesus confirma esta opção de Deus, da escolha da pequenez e
do escondimento. “Ele nunca sucumbirá ao fascínio do poder divino para realizar
grandes sinais e impor-se aos outros, como o demônio lhe tinha sugerido, mas
revelará o amor de Deus na beleza da sua humanidade, habitando entre nós,
partilhando a vida comum feita de trabalhos e sonhos, compadecendo-se dos
sofrimentos do corpo e do espírito.”
Ao dar à luz
Jesus, disse ainda o Papa, Maria nos recorda que o lugar privilegiado onde
podemos encontrá-lo é, antes de mais, a nossa vida, a nossa frágil humanidade e
a de quem passa por nós todos os dias.
Momento do ofertório
A grandeza de
Deus na pequenez da vida
Invocando-a como
Mãe de Deus, afirmamos que Cristo é o Salvador do mundo, mas podemos
encontrá-Lo e devemos procurá-Lo no rosto de cada ser humano.
“Confiemos,
pois, a Maria, Mãe de Deus, este novo ano que começa, para que como Ela também
nós aprendamos a encontrar a grandeza de Deus na pequenez da vida”, afirmou
Francisco, para que aprendamos a cuidar de toda a criatura nascida de uma
mulher, protegendo o dom precioso da vida.
Cuidar da vida
Neste Dia
Mundial da Paz, prosseguiu, todos somos chamados a acolher este convite:
proteger a vida, cuidar das vidas feridas, restituir a dignidade à vida de cada
ser “nascido de uma mulher” é a base fundamental para construir uma civilização
de paz.
“Por isso, faço
apelo a um firme compromisso de promover o respeito pela dignidade da vida
humana, desde a concepção até à morte natural, para que cada pessoa possa amar
a sua vida e olhar para o futuro com esperança”, exortou o Pontífice, citando
sua Mensagem para o Dia Mundial da Paz deste ano de 2025.
Confiemos a
Maria este novo ano jubilar, acrescentou o Papa, entregando-lhe as nossas
questões, preocupações, sofrimentos, alegrias e tudo o que trazemos no coração.
“Confiemos-lhe o mundo inteiro, para que a esperança renasça e a paz germine
finalmente em todos os povos da terra.”
Vamos aclamar
Maria!
Ao concluir sua
homilia, Francisco recordou que, em Éfeso, quando os bispos entraram na igreja,
os fiéis, com cajados nas mãos, gritaram: “Mãe de Deus!”.
"Hoje não
temos cajados, mas sim um coração de filho, uma voz. Portanto, todos juntos,
vamos saudar a Santa Mãe de Deus", convidando a assembleia a repetir três
a expressão “Santa Mãe de Deus”.
No primeiro
Angelus de 2025, inspirado em Maria, Francisco dirigiu seu pensamento a todas
as mães, especialmente àquelas cujos corações estão repletos de dor, porque
seus filhos foram levados pela violência, pela soberba, pelo ódio. "Como é
desumana a guerra, que despedaça o coração das mães!"
Após celebrar a
missa na Basílica Vaticana, o Papa rezou o Angelus com os fiéis reunidos na
Praça São Pedro. Em sua alocução, comentou o Evangelho da liturgia de hoje
(Lc 2,16-21), que narra a chegada dos pastores à gruta de Belém.
Francisco propôs
à reflexão aquilo que os pastores viram em Belém, ou seja, o Menino Jesus,
e o que eles não viram, ou seja, o coração de Maria, que guardava e
meditava todos esses fatos (cf. v. 19).
Em primeiro
lugar, o Menino Jesus: esse nome hebraico significa “Deus salva”, e é
exatamente isso que fará. De fato, o Senhor veio ao mundo para nos dar sua
própria vida. "Pensemos nisto: todos os homens são filhos, mas nenhum de
nós escolheu nascer. Deus, ao invés, escolheu nascer por nós: Jesus é a
revelação de seu amor eterno e infinito, que traz paz ao mundo."
Ao Messias
recém-nascido, que manifesta a misericórdia do Pai, corresponde o coração
de Maria, onde bate a esperança de redenção para toda criatura.
"As mães
sempre têm seus filhos no coração. Hoje, neste primeiro dia do ano, dedicado à
paz, pensemos em todas as mães que se alegram em seus corações, e em todas as
mães cujos corações estão repletos de dor, porque seus filhos foram levados
pela violência, pela soberba, pelo ódio. Como é bela a paz, que alegra a vida
dos povos! Como é desumana a guerra, que despedaça o coração das mães!"
Como de costume,
o Papa encerrou convidando os fiéis a se questionarem: eu sei permanecer em
silêncio para contemplar o nascimento de Jesus? E procuro guardar em meu
coração este Acontecimento, sua mensagem de bondade e salvação? E como posso
retribuir um presente tão grande com um gesto gratuito de paz, perdão e
reconciliação?
"Que Maria,
a Santa Mãe de Deus, nos ensine a manter a alegria do Evangelho em nossos
corações e a testemunhá-la no mundo."